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Moléstia* à parte, minha vida poderia servir de inspiração para um roteiro maneiríssimo do Almodóvar. A então musa Penélope Cruz que cuide de administrar melhor sua carreira porque a *
weirdo* aqui está investindo firme no drama.
Posso afirmar que a cada semana rola um laboratório, uma pesquisa de campo, uma captação de recursos, uma reciclagem.
Como na sexta-feira passada, depois de voltar pra casa parecendo
zumbi-figurante do
Thriller - descabelada, joelho sangrando, manca e com muita fúria e revolta no coração. Depois do acontecido, lembrei que também já fui atropelada por um anão em plena estação do metrô. Tem mais bizarro? E que tal pescar uma galinha? Ah, isso é normal e todos estão sujeitos, não me olhe torto assim. Conversar com manequim de loja pra pedir informação? Alguém? É pegar ou largar, assuma agora. Esperar pela carona e entrar no carro errado, reclamando que a pessoa atrasou
(sendo que essa pessoa jamais te viu na vida!
)? Ah, a miopia!
E no quesito *
distúrbio visual*, eu me destaco. Já me vi refletida em espelho do shopping e, juraaava pra mim mesma, que conhecia aquela menina de algum lugar.
Hellooooo, era euzinha aqui! Ou ainda o clássico do cumprimentar estranhos achando que é aquele seu super amigo? Já abracei desconhecido pensando que era um colega de trabalho. O pior
(ou não
) de tudo é que o 'estranho' em questão era irmão gêmeo da pessoa que eu pensava ser. Viu, nem sou tão míope, intrigas da oposição, coisas que o povo do bairro fala.
Mas o clássico dos clássicos é o pavor imoral que tenho de palhaços. Já cheguei ao nível elevadíssimo de sair da festinha porque o infame resolveu me escolher para as brincadeiras. Gente, palhaço foi um dos seres que mais me aterrorizou na infância. Eles tinham programas na TV, eles ficavam na entrada do zoo, eles formavam duplas e cantavam, eles animavam festas. Hoje estão por aí, mais sofisticados... porque pra mim, na *
boua*, circo internacional com artistas pendurados em cordas e panos, tendo os rostos pintados, são palhaços repaginados, sim, não se discute. E não preciso nem dizer que aquela banda que rima 'nada com coisa nenhuma', que se veste de palhaço, coisa e tal, me causa verdadeiro pavor.
Mudando um pouco o foco
(desfocado
), mas continuando na linha do 'e
rro refrativo', semana passada, reunimos uma galera numa pizzaria delícia para festejar a promoção de uma amiga. E porque o delineador borrou, fui a última a chegar. Sem contar que ainda me perdi pelo caminho. Faz parte do charme,
néam*. Mesa cheia, cumprimentei todos com um super simpático 'oi, gente' e sentei no canto, não conhecia todo mundo que estava no encontro. Papo vai, papo vem, pizza passa, pizza fica e a conversa rola solta. No final do evento, nas despedidas, é que fui notar que o cara que sentava na minha frente na mesa, pra quem eu falei altas besteiras, não era quem eu pensava ser. Confundi a fisionomia e puxei assuntos que talvez ele deva ter pensando: o quê que essa louca está falando?
Só sei que disfarcei bem, fiz aquela cara de
(míope
) super bem resolvida e deslizei no salto, com confiança, graça, segurança e um pouco de astigmatismo também.