::gil elvgren::

Sábado, Julho 04, 2009

E quando todos menos esperavam, o mundo resolveu parar no dia 25 de junho de 2009.
Desde então, a velocidade não foi estabilizada. A cada minuto, uma notícia que revive a grande tristeza.
Em meio a informações desencontradas e fontes pouco confiáveis, todos aguardavam a mesma resposta: que toda aquela confusão era um trote armado pela imprensa sensacionalista. Ou, quem sabe, uma jogada de marketing um pouco exagerada, mas que faria ressurgir (ou não) a carreira (tão maltratada) de um dos grandes ídolos da música pop.
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A morte de Michael Jackson aconteceu de forma inesperada para alguns, previsível para outros.
Uma vida pouco comum para quem pouco viveu, mas sempre esteve no limite.
Sua obra transcende a infância sofrida, o descontrole do "pai", o oportunismo de tantos e a exploração incansável da mídia.
Sucesso estrondoso acompanhado por histórias absurdas. Polêmico, genial, número 1, mesmo em um tempo em que a internet era 'algo para um futuro próximo'. Toda a grandeza do ídolo em videoclipes magníficos, figurinos marcantes, coreografias impecáveis. Mas seu talento não se resumia somente nisso, para espanto de milhões. Os noticiários teimavam em abordar a rotina incomum do garoto negro que dormia em uma câmara hiperbárica e que, um dia, acordou branco, de sua surpreendente mutação ao longo dos anos - além da pele, cabelos, nariz, etc -, de casamentos questionáveis, dos filhos condenados a enxergar o mundo através de máscaras, tecidos e de Neverland. Por fim, e não menos, da acusação que veio apagar grande parte de seu prestígio, mas que não calou seu inegável talento... e que (finalmente) se provou falsa. Fatos que expõem a perturbada existência de um astro que foi privado de viver sua própria vida.
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Cresci com a música e MJ foi uma presença marcante em minha infância. LP's, videoclipes inesquecíveis e minhas inúteis tentativas de acompanhar seus passos, enquanto minhas polainas iam compondo o visual dos meus dourados 5, 6 anos de idade.
Mais adiante, cheguei a enfrentar o medo para assistir a estréia de um clipe: praia, a antena da televisão não captava a imagem, insisti em levar a mesa da TV para cada canto da casa, de repente, uma cobra (sim, eu disse 'cobra') sai de dentro de um dos móveis. {...} Após o susto, consegui assistir a 'Remember the time' e a lembrança do réptil é mínima quando comparada aos efeitos do vídeo, admito. :)
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Impossível não falar de Michael Jackson. Do ontem, do hoje e do sempre. Por mais que se fale.
Se a intenção do artista é ter sua obra eternizada em sucessos, pode-se acreditar que a morte apenas subtrai a presença física, palco, luzes e dançarinos. A obra de Jackson é eterna, por menos fã que você seja.
E com suas excentricidades, Michael Jackson permanecerá ícone. Seu legado é eterno. Sua obra fala por si. A beleza e a leveza de sua música ultrapassam qualquer fronteira, eixo, continente. Sua lembrança sempre será motivo para celebração.
Queria muito ter treinado um pouco mais na infância. Quem sabe agora eu apresentaria um moonwalk (meia-boca!) em sua homenagem, Michael. Mas deixo meu agradecimento por você ter mostrado ao mundo que a tristeza pode sim ser vencida pela arte. E avante.
Rest in peace, King.



Sexta-feira, Junho 26, 2009

Dois anos de uma saudade eterna.
Por tantas e tantas vezes, eu chegava em casa querendo dividir os acontecimentos daquele dia, mas só encontrava o silêncio.
Sinto falta da opinião forte e da sabedoria simples, direta e certeira. Sinto tanta falta de passar a mão em seus cabelos, do sorriso largo e da bronca tamanha.
A gente não precisava de muito para se divertir e discutia por pouca coisa. Sempre fomos muito parecidas e incrivelmente teimosas.
Minha mãe abdicou de sua vida para cuidar daqueles que amava. E partiu cedo, mas foi embora sabendo o quanto era amada. Sempre que eu segurava sua mão – como fiz até o último momento -, mentalizava todo o meu amor (disfarçando minha dor em vê-la partindo aos poucos).
Nunca mais chorei como chorei naquele fim de tarde. Nunca havia me jogado de joelhos no chão como fiz naquela noite, sem forças, tendo a certeza de que tudo seria diferente, voltando para casa sem minha mãe.
Tristeza dói, aperta o peito, falta o ar e tira o reflexo.
Escrever liberta, alivia a aflição, conforta a alma, mas hoje tem sido incrivelmente difícil.
Quando penso que se ela estivesse aqui, isso e aquilo não teria acontecido, sinto-me egoísta, mas perdôo meu pensamento porque minha saudade não se mede.
Minha mãe era minha paz, meu conforto, meu lar. Sem ela, pouca coisa tem sentido. Sem ela, precisei mudar sem perder meu rumo. Mas continuo por ela.
Te amo, mãe. E amarei quantas vidas eu tiver. E além.

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Mil idéias povoando a mente.
Na verdade, mais do que idéias, são propósitos. Talvez a rotina esteja chata, talvez estive com as pessoas erradas, talvez deixei passar algumas oportunidades ou não aproveitado as chances como deveria ter feito, maaaas, faço do lamento, uma motivação.
Porque sou daquela espécie que quando acha que vai fraquejar e voltar atrás, respira fundo e lembra que no final, sempre dá certo. No final sempre dá certo. No final, sempre dá certo.
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Voltemos à programação normal.

Sábado, Junho 06, 2009

Talvez não seja tão habitual, mas um dos meus passatempos é observar as pessoas pelo retrovisor do carro.
Quem são, como vivem, o que fazem, para onde vão?
E essa ansiedade que sempre se adianta em mim traz perguntas sem pistas para as mais inquietas respostas.
A impressão constante de que só este meu espaço aqui não é suficiente. A janela tem ficado cada vez menor e quanto mais caminho, mais as distâncias parecem maiores.

Quando eu era criança sempre tinha a curiosidade em saber o que se escondia atrás daqueles morros e árvores ao longe, que se mostravam tão grandiosos e inatingíveis. Hoje, crescida, mal vejo o mesmo horizonte, - coberto por prédios - mas a necessidade não se esgotou e percebi que as caminhadas realmente são muito mais distantes do que eu imaginava, porém, necessárias.
Porque pouco me sobrou por aqui. Se eu for embora, pouco levarei.
Nada tem muito sentido. Lembranças, pessoas, lugares.
Enquanto eu mal reconheço alguns, outros mostram quem são. Amizades desfeitas pela pouca importância dos fatos. Se pra você tanto faz, o outro inexiste e pronto.
Lembro de sorrir com alguns amigos. Tempos depois, eu chorava sozinha. Neste momento, pouco me importa também. Não abro exceções, não vou mendigar atenções; ultimamente, o desconhecido tem sido meu melhor amigo e isso nem é uma queixa, é uma escolha.
E não se vai embora somente o que eu descobri que era descartável, tenho perdido medos, encarado situações e respondido minhas próprias dúvidas. E talvez toda essa certeza tenha me tornado uma pessoa mais racional, não necessariamente fria, mas consciente de que seu problema não é maior do que o meu, de que suas necessidades e escolhas são realmente suas e de que você não é o centro do universo como imagina ser.
Além de você, há o mundo lá fora. E ele me espera.

Terça-feira, Maio 12, 2009

Passei um tempo distante e agora volto em grande estilo, renovada, tal qual protagonista de novela que ressurge no capítulo 107, após longa temporada européia, banho de cultura, novos ares e amores.
Na verdade, meu tempo distante nem foi tão longe daqui e protagonista eu sou: dos meus próprios dramas... que não são poucos, inclusive e que fariam Almodóvar mudar de musa, esquecendo Penélope e me adotando como atriz principal de seus magníficos filmes; quiçá, ganhando o Oscar de melhor roteiro inspirado em fatos reais. Te encosta no poder!
O que me trouxe de volta foi mesmo a imensa necessidade de escrever, sem preocupação com normas e expressões, sem modelos e regimentos internos, sendo eu mesma, com erros, alegrias, tropeços, conquistas e as habituais lágrimas.
Porque tenho colocado na prática algumas de minhas loucas teorias, incluindo aquela das roupas no varal. Sim, elas vão balançar, podem até sujar, mas vão secar por igual a qualquer tempo.
Portanto, queridos, estou de volta, protagonizando histórias amenas, devaneios explícitos e dúvidas constantes.
Woo hoo.