::gil elvgren::

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

* sunday boring sunday *

Já não basta ser domingo.
Não é suficiente, você precisa odiá-lo mais.
Para isso, você é acordada pelo insistente alarme de carro do seu vizinho; alarme este que parece ter sido instalado recentemente, já que ele dispara a cada cinco minutos, propositalmente, no mínimo.
Pelo menos não é com som de *vaquinha* ou de qualquer outro animal que, por mais sagrado que seja, incomoda quem quer dormir um pouco mais.
Vencida, porém incansável, a menina segue rumo ao banho frio, afinal, é verão. É a estação do ano mais esperada no Brasil, menos por mim.
Já basta o calor da Capital, a baixa umidade, o nariz, a garganta, a pele e o gasto astronômico com hidratante, soro fisiológico e roupas de algodão.
Digo e repito: felizes e bem aventurados são aqueles que têm praia por perto... e que não precisam ligar a TV.
E são Gugus, Faustos, Rauls e seguidores que irritam este pequeno ser. Doses cavalares de calypsos, sertanejos, pagodeiros, axés, periguetes e playboys; quase todos aspirantes a modelo-manequim-atores-apresentadores-de-programa-infatil-passistas-de-escola-de-samba, ou, para os mais conformados, figurantes.
Foi tão fatal para o aparelho de TV, que o coitado sofreu um colapso e a imagem não mais voltou a ser a mesma.
Fez a curva.
Neste exato momento, lembrei de uma entrevista que Marcelo Rubens Paiva fez com Marcelo Rubens Paiva [isso mesmo], num texto publicado no caderno “Ilustrada”, da Folha de São Paulo, quando ele disse que “... Antes, os chacrinhas ficavam na frente, e as chacretes, atrás. Agora, elas ficam na frente e comandam os programas...”
Sem mais.
.
.
.
Aproxima-se mais uma segunda-feira daquelas que você imagina como será.
E a indecisão que se prolonga por mais de um mês é quase certa: mais uma semana de destino indecifrável.
Pra quem bem se lembra, o local de trabalho da menina sofreu um incêndio em dezembro passado.
Ficamos *sem teto*, sem mesa, sem cadeira ou computador.
Fomos para outros prédios.
Bem recebidos nos primeiros dois dias – por caras boas e piedosas –, e rejeitados por caras feias – muito feias -, nos vinte dias seguintes.
Mais uma vez, mudamos.
Prédio novo? Que nada!
Logo na entrada, fomos recebidos por um recado bem sugestivo.
Imaginou tapetinho escrito * welcome home *, não?

Mais um prédio condenado a qualquer coisa que seja.
Não é o bastante?
Que tal um novo incêndio, hum?
Oooooooopa, só se for agora!
Essa semana passada, estou eu “tranqüila” no provisório local de trabalho, quando recebo ligação de outra amiga dizendo estar num engarrafamento por conta de mais um incêndio, em prédio não-identificado, com barulhos de sirenes e fumaça rasgando o céu.
Pensei: “Só falta ser este prédio!”. Não, foi em outro.
Corri pra janela com todo o meu faro de *jornalista-publicitária* para registrar o que acontecia.

E a fumaça subia e subia.
Incidente sem grandes danos, ao contrário de dezembro passado.
Precisamos mesmo benzer nossos crachás...
.
.
.
E pra mim ainda é domingo... madrugada...
O desejo é que venha a segunda, que o chefe esteja de cara boa e que eu consiga o mais rápido possível o que tanto tenho buscado, de uma forma ou de outra, mas com resultado.
Pra você também.
O que seja.
Amém.

Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

* sol & lua *

Derreti, não, Jôka P.
Ainda.
Mas admito que é difícil pensar & escrever quando o calor chega a picos estratosfericamente absurdos. Muito difícil. Muito mesmo.
Dá uma moleeeeeeza, dá uma leseeeeeira!
Vixe!
Paro, penso, escrevo uma ou duas linhas, apago e volta a pensar; mas nada muito digno de sobriedade... sempre coisas relacionadas à líquidos.
Sem limão e com gelo, por favor!
As escassas idéias surgem quando o vento empurra o cabelo pro rosto, mas, de repente, teimam em parar no “geeeeeeente, que calor da p#rra!”.
Estaca zero.
Sei, tá ficando repetitivo, mas o desabafo é deveras necessário.
A coisa tá ficando grave.
Em plena terça-feira, pego-me acordada às quatro horas da manhã, lendo horóscopo no visor do celular.
* Insônia de verão *, explico.
Ventilador quase na fuça, lençol fininho, garrafinha de água ao lado e a menina não achava jeito pra dormir.
Olhou no relógio, eram duas da manhã.
Pensou: “ah, até às duas e meia eu durmo”.
Rapidinho as três horas chegaram e Marilyn ali, contando carneiros, ovelhas, bodes, coelhos, capivaras, vendo vacas voando e naaaaaada do sono chegar.
E enquanto S. Sono não vem, dei inteira atenção aos astros.
A escorpiana que vos fala ainda não processou todas as informações relacionadas às suas características astrológicas. Admito que, em certas atitudes, tenho agido como manda o figurino, digo, o mapa astral.
Não sei se foi o poder das quatro da manhã, aliado ao calor e a falta de sono, só sei que li aquelas poucas linhas e absorvi as dicas.
Aquilo foi escrito pra mim, para aquela semana, pro momento, inclusive para o horário.
Sono?
Não lembro ao certo, mas a mensagem dizia que a minha busca seria finalmente concretizada.
Logo eu que busco tanto e busco muito e há muito!
Falava em *regeneração*, em vitórias, em crenças antigas que serviriam de base para um futuro que um dia pensei em desistir, mas que ainda procuro.
Profundo, não?
E tudo com a influência de Saturno, que me aconselha a persistir.
Tão longe e tão perto, em distância anos-luz e pensamentos vagos.
Mas acho que sabendo aonde se pisa, com quem se lida e o que se faz, chega-se lá.
E quero logo.
.
.
.
Melhor dormir primeiro.

Sábado, Janeiro 21, 2006

* segura na mão de Paul Hewson e vaaaaaaaai *

Pense num calor.
Agora pense num céu completamente azul, com nuvens escassas e aquela claridade típica que só a brejeira Brasília tem.
Pra quem tem a certeza de que foi um urso polar na vida passada, o sofrimento é visível.
Um urso polar fanfarrão que, por hibernar demais, não concluiu sua missão aqui na Terra e acabou voltando como bípede nascida num país tropical e que odeia verão.
O karma?
Viver numa cidade onde não há praia para refrescar o cangote e a umidade relativa do ar sempre está em baixa... muito mais abaixo do que a noticiada na TV para não alarmar a população que reside no deserto, digo, na região.
[E se chorar, desidrato!]
Quem me conhece sabe.
Ao assistir telejornais, fico atenta às palavras da moça do tempo pra saber se vem chuva, sol forte, poucas nuvens, calor excessivo, frio abaixo de 0 graus... um sonho distante em Brasília.
A inveja saudável logo aparece quando vejo as temperaturas em outras partes do mundo, como em...
Estocolmo [média de 14o negativos]
Berlim [média de 8o negativos]
Japão [média de 7o negativos]
Ou ainda na Baía de Pomerânia, na Polônia [média de 5o negativos].
Boas dicas turísticas, hum?
A bolsa da menina Marilyn sofre chacotas diárias por conter de tudo, de creme hidratante a soro fisiológico para desobstruir as narinas sofridas. Levo ainda o brilho labial com protetor solar e a famosa garrafinha de água, companheira de aventuras, salva do incêndio e tida como filha!
Vira e mexe escuto um:
- Ow, tem chave inglesa aí?
O importante é abstrair e pensar que tudo na vida se constrói a base e paciência e reflexão.
E eu que adoro praia, apesar de parecer contraditório, não fujo à regra quando se mora na Capital do país desde muito pequena.
Quisera eu ter pousada num litoral lindo e cinematográfico ou então ser vizinha e confidente do * Bom Velhinho *, Papai Noel, lá na Lapônia :: Finlândia.
Coisa fina, hein!
Digo, coisa fria!
Mudando o rumo do vento, informo que ainda não estou recuperada da tristeza por não poder ver o amado-amante Bono.
E assisto aos DVDs do U2, saboreando biscoitos Bono, tomando a típica cerveja irlandesa [quem lê pensa!] e cantando aos prantos o trecho de [uma das muitas canções favoritas], *Walk On*:

“… I know it aches
How your heart it breaks
And you can only take so much
Walk on, walk on
Leave it behind
You've got to leave it behind
All that you fashion
All that you make
All that you build
All that you break
All that you measure
All that you steal
All this you can leave behind
All that you reason
All that you sense
All that you speak
All you dress up
All that you scheme…”

... Pra ver se diminui a dor...
Isso é que é gostar de sofrer, não é?
Sentadinha, aperto a tecla *play* e fico a imaginar-me pequena e desinibida frente ao palco, fazendo a segunda voz em todas as canções, de mãozinha pra cima e olhinhos fech... fechados, que nada!! Bem abertos!! Já que não é todo dia que se tem Paul Hewson ali na sua frente, pisando firme e levantando a massa.
Farei uma revelação [que para BonnaVox já é motivo de gargalhada]:
Há uma feira livre próxima de casa e, como toda feira, existem roupas, verduras, frutas, acessórios e o famoso pastel.
Gente, juro de DVD na mão: um dos pasteleiros é a cara de Bono!
Foram separados no berço.
Um ficou na Irlanda e fez sucesso no mundo; e o irmão pobre tem banquinha de pastel e é mundialmente conhecido no bairro.
E toda vez que por lá passo, levo mais de meia hora para escolher o sabor, se o frango vem com catupiry, se o de carne levará queijo ou se pode colocar muita canela no de banana.
Pode sorrir, mas o nariz é o mesmo.
O sorriso é igual.
E o cabelinho também [sem aquele corte no estilo Beiçola, da série "A Grande Família"].
Aaaaaafffffffff, deixa eu me conformar então.
Nada de Irlanda.
Nada de U2 em São Paulo nos dias 20 e 21 de fevereiro de 2006.
Maaaaaaaaaaaas, alimentada de pastel e com um cover à altura do ídolo maior.
Sustância pura.
[A cada dia que passa fico mais besta.
Acho que é o calor.]
...
P.S.: Alê, relaxa, gaaaata!
[Tudo bem que ela não visita o *ómilde* blog, maaaaas o papo tá com firma em cartório]

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

* devaneios... sim, aqueles mesmos *

Minha rotina agora foi milimetricamente projetada para não mais ter almoços.
Minto.
Tenho almoçado sim, lá pras 17h ou 18h, vendo o choro insuportável da índia Serena... aquela que tudo sente, que tudo dói e que com tudo ela chora.
Turn it off, immediately, Marilyn!
Prefiro ouvir o barulho que o vizinho faz ao bater carne na tábua, bater porta, janela, o escambau, do que assistir a magnífica interpretação da pomba-lesa da Fantin ao som de *índia seus cabelos nos ombros caídoooooos*.
Imagina!!??!!
Perigando ainda *desengolir* o único alimento do dia!!
Volta pra mata, Serena, volta!
Corre, nada, voa, vaza e vai ser chata lá-bem-lá.
E a cara-pálida aqui sai de casa com o copo de leite e volta conversando com a amiga Barriga.
Jogo rápido: Marilyn pergunta e Dona Barriga responde.
Mas hoje ela quis se rebelar.
Bem que tentou.
Reclamou, reclamou e eu joguei água para forrar, vários copos ao dia.
Mas como sou uma pessoa generosa, prometi que depois do passeio rápido no shopping, colocaríamos os pingos nos *is* e o que mais coubesse no bucho faminto.
Tamanha convicção foi baseada na atitude tomada às 11h30 da manhã, horário crítico.
E lá estava ele, o colega de trabalho com cara de fome, mãozinha no queixo, ar de desolação. E eu na minha inenarrável bondade, fiz a doação simbólica – mas muito representativa - da barra de cereais que guardava na bolsa.
Beatificada pela iniciativa, tenho plena certeza de que não serei, mas foi espontâneo e deveras comovente vê-lo feliz e alimentado.

[ Mal mesmo foi um episódio que presenciei essa semana, mas que deixo para outro post... Só adianto que é inconcebível saber que vivemos num país de tanta mediocridade, onde tantos têm tão pouco e outros enxergam somente o que rentável for ].

Retornando, conclusão tomada após conversar seriamente com este bucho, prometendo um toma-lá-dá-cá: um yakisoba estava em jogo.
E a promessa foi severamente cumprida.
Segui rumo ao shopping, comprei minhas coisas, desviei de quem caminhava devagar, olhei vitrine, cruzei os dedos pra não encontrar gente chata [sempre que vou lá reencontro... não é Murphy?] e quase tive uma síncope ao ver a lingerie de *Belíssima*, estampada ali na minha frente... e pior... eu estava com uma das peças em mãos!!
Quando vi a etiqueta, tive um ataque de risos, pois logo pensei na possibilidade de ter também a marca *Lindona*.
Pardon.
Pense numa pessoa que sorri sozinha na seção de lingerie da loja.
Pois bem, ela se apresenta, rindo ainda, inclusive.
Aaaaaf, quem manda ligar a TV sempre na hora dos folhetins globais?
Mesmo sem querer absorver, acabo ouvindo e guardando os diálogos riquíssimos e que fazem de mim uma pessoa m... ais besta, dia a dia.
...
E a mesma leveza dos dias anteriores tem me acompanhado por agora.
É incrível... sinto-me sem peso de culpa ou remorso do que fiz ou deixei de fazer, do que falei ou que falaria novamente.
Mas preferi calar e ignorar por agora e por tempo indeterminado.
E tem feito um beeeeeeeem!
Tenho estado ocupada demais pra bobagens.
Sim, o-c-u-p-a-d-a.
Tenho seguido minhas intuições e vontades sem medo.
Tenho pensando em coisas boas.
A velha história do lixo seletivo: muito se aproveita, mas velhos cacos... não.
E por favor não pensem de forma equivocada!
Nada pessoal com quem visita e comenta, coisa que, alias, eu adoro (!), pois gosto de saber quem vem e o que pensam sobre os devaneios da menina aqui; mas sei que têm pessoas que *porraqui* passam pra saber o que se passa.
E passa, viu, pessoa.
E não abala.
Tenho ocupações e pessoas e tarefas e vida própria e carrego o meu patuá.
Consigo visualizar:
Vem e lê. Provavelmente faça cara de *hunf* porque quem fala é Marilyn e não Chloè. E triste, segue para qualquer outra futilidade que julga ser conveniente, inclusive este blog que não lhe pertence e que não lhe diz respeito.
Na verdade, já disse, mas não diz mais.
Out.
Dado o recado e recebida e mensagem.
Câmbio, desligo.
...
Hmmmm, no mais, nada de excepcional, fora a completa certeza de que a mensagem do biscoito da sorte de hoje disse muito sobre o que tenho pensado ultimamente.

Pra frente e avante.

Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

Quase tive uma crise nervosa ao confirmar: fato.
Há muuuuuuitos meses eu soube que o U2 estaria no Brasil em única apresentação, mais precisamente em fevereiro, exclusivamente no ano de 2006.
Sim, eu me descabelei.
Consultei as possibilidades de ficar instalada confortavelmente na casa da tia em São Paulo, ensaiei na frente do espelho os dias de licença que pediria/imploraria ao chefe, pensei na economia necessária - guardando todos os dinheiros possíveis [inclusive o do pão] e, claro, matutei mais ainda nos preços Bonos para ver Bono tête-à-tête.
Poooooooucos meses depois, tive a completa certeza de que não poderia ir.
Nem pra ver Bono do telhado da casa da tia...
Sim, eu me descabelei.
E assim vem sendo diariamente.
E não há *Walk On* ou *Stuck In A Moment You Can't Get Out Of*, que me faça consolar.
Talvez *If God Will Send His Angels*... mas nem assim garanto.
E pior do que saber que a banda estará aqui no dia 20, é saber que ela também confirmou show extra para o dia 21.
[Escorre a lágrima]
Sorte a minha que existe a técnica do mega hair.
E aqui fico eu, vendo as notinhas em jornal, as matérias na TV, ouvindo a música que tanto gosto e que há muuuuuuito não tocava no rádio... e que só toca agora porque eles estão a caminho.
Hunf!
Mas o que dói mesmo é ver os videoclipes... e para não sofrer tanto e não mais torturar este triste coração, escondi os DVDs... mas o pai - do tanto que ouviu a filha cantar U2 a vida toda - aprendeu a gostar da banda.
Até aí, tudo bem, ótimo-ótimo, melhor do que ouvir as *musgas* que o vizinho escuta!
O que de grave aconteceu é que ele encontrou os DVDs num momento crítico... e colocou para rodar e cantarolou e teceu comentários que me levaram ao choro involuntário.
[Escorrem várias lágrimas]
Ai, como sofro...
E falando em sofrer, eu tenho uma teoria.
Lembra de Murphy?
Sim, aquele que insiste em me amar?
Tá na área.
E hoje ele acordou com as galinhas e fez inteira questão de me acompanhar.
Primeiro, dormi mal.
Segundo, acordei mal.
Terceiro, peguei engarrafamento em período de férias, quando poucas pessoas seguem rumo ao trabalho ou escola, na verdade, só eu sigo para o trabalho em janeiro, na Capital do Brasil, quase um deserto no meio do Brasil.
Mas já que Murphy estava na carona, surgiu engarrafamento em Brasília, em pleno verão!!!!
Die, Murphy, Die!
Tudo bem, o molho de tomate não caiu na camisa branca... isso porque nem almoçar eu pude.
A múmia que aqui escreve agora é adepta de se alimentar de luz.
Cheguei verde em casa, pouco a pouco realizarei a fotossíntese.
...
Sei que é péssimo o trocadilho, mas *I Still Haven't Found What I'm Looking For*... but I’ll.

Como fiz no sábado.
Saí por aí.

E ainda registrei.
Beautiful day.

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

* para ler em voz alta *

Mesmo faltando muito para tudo estar, tenho a sensação de que tudo está bem.
E o que paira no ar como incerteza, eu sei que bem também vai ficar.
Tenho me sentido leve e isso é suficiente para encaminhar, distribuir e receber.
Prometi a mim mesma pensar assim, pois quem pensa em coisas boas, blá-blá-blá-blá-blá-blá.
E sacudida por acontecimentos, palavras e ações, lembrei-me que valores e considerações são trocados e não cobrados em taxas a juros altos e prazos curtos.
Porque eu sou humana.
E para o limitado de mente e coração, o *estar* humana não engloba somente o fato de ser prima-irmã de primatas, sangue-do-mesmo-sangue do tal Homo Sapiens, bípede porque assim sou e feita à imagem e semelhança Daquele ou Daquilo que você acreditar.
E por tudo isso, tenho restrições, limitações, sentimentos e vontades.
Ah, sou chata?
Neste ponto eu discordo sem a menor falsa modéstia.
Posso *estar* chata, assim como posso estar contente, triste, desmotivada ou energizada, como assim me sinto.
[Viu, Dona Vanessa, estou *zen*, ponto pra você!]
Sou do time do "pode-se como quiser / puder / estiver".
E sabe por quê?
Porque ao contrário do que eu ouvi, eu vivo sim.
Não sou limitada a mundinhos intransitáveis e artificiais e digo, sem qualquer falsa modéstia, que enxergo muito além deste nariz que não leva pinta de palhaça.
Porque para estar e fazer, independo de opinião, de falso costume or whatever.
E viro a página de vez, porque Cazuza fala[va] da burguesia melhor do que qualquer um e não ousarei superá-lo.
...
E tenho estado.
Porque recebi abraço sincero, ouvi e fui ouvida, porque o telefonema foi longo e o chocolate preferido saboreado sem a culpa restrita e cansativa dos que vivem do lado de lá.
E dos amigos que escolhi e nossos *mungangos* irresistíveis, da criança que sorriu pra mim na saída do trabalho, do presente que comprei pra amiga Márcia porque nem-era-aniversário ou muito-menos-dia-da-bandeira, do caminho diferente que peguei pra voltar para casa, observando que o planalto me dá opções lindas, do kit de incensos que adquiri para perfumar a vida, da esperança que se renova-nova e do telefonema *gargalhatíco* e quilométrico da *abigona* Boo – aquela que possui as histórias mais surreais da superfície terrestre... eu decreto... que um turbilhão de assuntos surgem num aglomerado enorme de idéias e que eu simplesmente misturei e bebi, descendo tudo num gole só.
Acabou o entalo.

P.S.: Ainda bem que você estava enganada, amiga Lu.
Que parar, que nada, menina!
O único Dia de folga que conheço aqui é o seu!
Aliás, meu dia de folga preferido! ;)

Quarta-feira, Janeiro 11, 2006

* assertiva *

Juro.
Tentei apelar para caderninho de anotações:
* Assuntos aleatórios organizados para posts *
Parece nome de curso preparatório para qualquer coisa, menos pra uma mente cheia de cores, idéias e sabores.
E os sentimentos vêm e vão.
E são muitos. Assim como os que por aqui passam.
E se passam, ou é por acaso; ou porque se identificam.
Muitos por curiosidade, para saber se a menina está triste e atende por Chloè; outros, para confirmar se a Marilyn realmente vai escutar o interfone e abrir a porta num sorriso.
Sim, fique feliz porque, além de abrir a porta num sorriso, ela vai convidar para entrar e dividir o pote de sorvete de flocos.
Isso mesmo, a menina tem decidido abstrair coisas bobas e trazer pra si somente o que de bom lhe for de direito.
Coisas e pessoas, ela logo antecipa, num P.S. bem à vista dos olhos de quem quer que seja.
Logo ela que nunca foi de dar importância se fulaninho * acha ou deixa de achar *, avisa que agora tudo mudou.
Sim, a importância tornou-se ainda menor.
A menina gosta de ouvir, cantarolar, ler, admirar-se.
E para tudo isso acontecer, a receita é simples e leva apenas o que for sincero, espontâneo e bonito aos olhos de quem vê.
Ela gosta de ouvir o que Chico Buarque diz; ela cantarola Janis Joplin na alegria, na tristeza, no chuveiro e na copa; ela apaixona-se por / com Vinícius de Moraes e lê Clarice Lispector como se fosse a si mesma.
A Marilyn acha a música necessária, a poesia intransferível e a atenção cúmplice do agora.
E repete que os sentimentos vêm e vão e que são muitos.
Assim como as pessoas que por aqui passam, lendo os pensamentos * pensamentalóides * da menina, comentando se * sim *, ou se * não *.
E tem quem passe por passar, talvez já sabendo o que irá encontrar... e que, por isso mesmo, ainda venha...
Há aqueles que gostam e que se identificam com os devaneios [e que sempre serão muito bem vindos!] e há também a outra espécie, que sabe como chegar, que não gosta, mas que comparece, para saber se quem fala é Chloè ou Marilyn.
O pior mesmo fica em ler aqui e comentar acolá... e isso traz certezas e não faltas.
Não, não mesmo.
[...]
Na verdade, fará sim.
Um favor.
O prestigiar mesmo não gostando do meu gostar... e isso faz concluir que é uma troca de favores.
Papéis invertidos, vejo.
Mesmo sem entender Chico, sem conhecer Janis, sem gostar de Vinícius ou mal saber quem é Clarice.
Limitações claras, vejo novamente.
E na * futilidade * [palavra em voga] em manter um blog cheio de * pensamentices *, apresento o que jamais foi novidade aos olhos, ouvidos e mentes de quem quer que seja.
Julgando-se tão fútil quanto.
Ou não.
São pensamentos meus.
E tenho dito.
E também repetido: quem faz sentido, é soldado.
Eu faço assertiva.

Sexta-feira, Janeiro 06, 2006

* ainda *

As propriedades terapêuticas que uma sexta-feira pode trazer ao ser humano são perfeitamente observadas a olho nu, a longa distância, num breu total, em casos leves e extremos.
E mesmo com todas as adversidades que a rotina absorve e encharca, este pequeno ser cansado ainda encontra motivos para sorrir.
Ainda.
Ainda que esteja sem teto fixo para exercer suas funções [sim, o prédio em que a menina trabalhava foi destruído por um incêndio, para os mais desavisados, leia post de 30.12.2005], ainda que o tão sonhado telefonema tenha sido recebido justamente no decorrer do mesmo incêndio trazendo o que a menina não queria ouvir, ainda assim, em lágrimas, a menina sorriu.
Ainda.
E assim ela o fez porque sabia que pra tudo tem sua hora e lugar.
Semaninha dura, *meu querido diário*.
Daquelas que o choro vem facinho-facinho, numa conversa de celular... mas que também vai embora, facinho, bem facinho, num sorriso leve de quem sabe que a Dona Oportunidade está na esquina, pronta para ser esbarrada.

E eu dou a cara à tapa.
Seguro meu patuá.
Escolho meus amigos.
Venço medos bobos.
Abstraio a chuva teimosa.
Recebo telefonema longo.
Mensagem que surpreende.
Presente que é a vida.
E descubro que o melhor acontece quando elevamos o pensamento.
O meu vai numa escala do maior pro maior.
E a paciência, antes inexistente, vai sendo devidamente trabalhada e exercida nas mesmas situações extremas.
E quem reparou, viu.
A louca que cantava Aretha Franklin enquanto o semáforo cintilava o vermelho, fazendo careta e sem dar importância pro que ficava para trás, apresenta-se aqui.
"Muito prazer".
E a profundidade do dito:
"Quer moleza?
Senta no pudim!"
...
... Só me faz acreditar mesmo que "a necessidade faz o sapo pular".
Popular, sim.
Simples assim.

Terça-feira, Janeiro 03, 2006

* iluminai *
E aqui estou eu, iluminada pela tela-plana-amber-vision do meu monitor, já que a lâmpada do cafofo piscou, piscou e apagou de vez, deixando a menina que vos fala na completa escuridão.
Mas nada como uma novela das oito para iluminar o caminho. E devota de São Gianecchini dos Pacovás, padroeiro da plástica perfeita, alcancei rapidamente a graça e achei a tecla power do aparelho de TV sem o menor grau de dificuldade, ou de *dificulidade*, como diria Paschoal.
E dada a luz, nada de tropeçar na cadeira pra ficar de canela roxa ou de arranhar o cotovelo na cômoda procurando vela, fósforo, lanterna ou estrelinha que brilha no teto do quarto [sim, eu tenho!].
Até que surgiu a possibilidade de subtrair da janela aquelas luzes coloridas de natal... sim, aquelas que mais irritam do que enfeitam, mas preferi mesmo a escuridão do mundo, digo, do cafofo.
E foi só falar na data comovente que surgiu ao longe uma voz coincidentemente natalina, estragando a canção The Blower's Daughter, de Damien Rice, numa versão meia-boca para a tal novela.
Biiiiiiingo! E quem respondeu Simone, a cantora do *Então é Nataaaaaal, a festa cristã*, ganhou um beijo e um queijo.
Nãããããoooo, por favor, tragam a escuridão!
* * * * * * * * * *
E no melhor estilo *bosta n’água* é que começo o ano de 2006, profissionalmente falando.
Tento não me estressar com as chatices diárias e não me abalar com o momentâneo tédio.
Mentalizo azul e sigo.
Amigavelmente falando, 2006 tem trazido telefonemas loooongos, cartões carinhosos, emails inusitados e abraços de pessoas queridas.
Online e offline [lembra, Vanessão?].
Piada interna.
E eu ainda desejo a sessão de massagem que estava marcada pra equipe naquela terça, 27 de dezembro do ano passado [olha como soa bem!], queria o DVD da Elis Regina que namorei no telão da loja, queria também uma penca de livros que folheei nas estantes de um shopping estupidamente cheio, um céu azul, uma rede e um cafuné.
Ah, claro, e vários sábados.