::gil elvgren::

Quinta-feira, Março 30, 2006

Separei palavras e imagens em uma vasilha.
Reservei.
Eu já sabia como começar o texto, desenvolver a receita e deixar o quase finalizar para o recheio e cobertura.
Porque a vida só é boa pra quem pode lamber o dedo besuntado da massa que sobra no fundo da panela.
Limites entre o doce demais, o salgado demais, o azedo ou o amargo demais pra mim é agridoce.
E enquanto o bolo assa, fico sentada num canto da cozinha, apoiando o queixo na cadeira, entendendo que favores mantêm lembranças, que certos amores inexistem e que nem mãe de miss convence a moça sobre a paz mundial.
Ao desenfornar, descobri que fiz receita dobrada.
Desandou.
Sensação de quem come bolo quente.
Rompe a fome.
E assim chamo Clarice, a Lispector, para falar por mim.
Sempre que fico abstrata, ela vem e fala o que eu tanto queria dizer, mas que ficou entalado.
- "Boleira de mão cheia", dizem.
Tem quem não goste, não entenda ou ache que Clarice exagere no glacê.
Compreendo certas limitações, afinal, também tenho minhas escolhas e admito que nem sempre são as melhores.
Um exemplo? Sempre separo o glacê no canto do prato, mania antiga.
E que venha Clarice...

" Há um tipo de choro bom e há outro ruim.
O ruim é aquele em que as lágrimas correm sem parar e, no entanto, não dão alívio.
Só esgotam e exaurem.
Uma amiga perguntou-me, então, se não seria esse choro como o de uma criança com a angústia da fome.
Era.
Quando se está perto desse tipo de choro, é melhor procurar conter-se: não vai adiantar.
É melhor tentar fazer-se de forte, e enfrentar.
É difícil, mas ainda menos do que ir-se tornando exangue a ponto de empalidecer.
Mas nem sempre é necessário tornar-se forte.
Temos que respeitar a nossa fraqueza.
Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito.
Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.
Homem chorar comove.
Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil.
Respeito muito o homem que chora.
Eu já vi homem chorar "

Clarice Lispector, em "A Descoberta do Mundo"

Segunda-feira, Março 27, 2006

* a odisséia *
Uma pessoa com pés muito cansados não consegue discernir entre mouse e teclado... portanto, ela optou pelo mouse para digitar um breve texto... digo, optou pelo teclado!
Aaaahhhh, o que são periféricos aos olhos de uma analfa-info-fadigada?
Isso mesmo, periféricos.
Após uma semana de trânsito indiano, escadas intermináveis, elevadores que não servem pra quem vai somente até a sobreloja, dúvidas entre almoçar no restaurante ruim ou no desconhecido, crise aguda de preguiça em intervalos remotos e eternos, códigos esdrúxulos interpretados por menos de meia dúzia de pessoas, esperanças diluídas em Coca Cola com o gelinho rodando na borda... e chega a sexta-feira.
Na volta pra casa, o encontro com a amiga mais cultural de todas e horas e horas de muito papo, risadas e histórias.
Tudo muito VIP, com direito a sombra, areia da obra ao lado voando diretamente em seu olho e pés cansados sustentando um corpo cansado-e-meio.
Chega o sábado.
Supermercado cheio, assim como o pé que ostenta pequenas bolhas de toda uma semana.
E são poucas as certezas que se têm ao entrar em um local repleto de ovos de Páscoa prestes a cair sobre sua cabeça.
Desejo antigo.
E que venha ao chão, eu nem ligo...
Na verdade, o que veio ao chão mesmo foi a paciência.
E com todas as forças, contive a mim mesma para não gritar "eu odeio a maldita gripe aviária" quando consegui alcançar a parte de frios do mercado.
Não, a febre das frangas não chegou ao Brasil, mas a ave estava sendo vendida a R$ 0,99.
Nunca-nunquinha vi tantas pessoas carregando o máximo de penosas que somente dois braços poderiam suportar.
Para quem foi a um supermercado somente para comprar sabão em pó e iogurte, foi o bastante para o início de um sábado.
Não, eu não comprei frango.
Acho que fui a única e, por tal façanha, acho que merecia um prêmio pelo maravilhoso feito. Na verdade, dois prêmios... por não ter conseguido pegar o queijo na seção de frios.
Morram, frangos.
.
.
.
Mas por ironia de um destino em frangalhos, diverti a mim mesma com o filme "O Galinho Chicken Little" que Big Marce emprestou pra eu dar risada e cantar Spice Girls, Gloria Gaynor, Bee Gees e Elton John junto com os personagens.
O domingo não conta, isso é fato.
E a segunda-feira valeu porque saí de casa com James Blunt sentado no banco carona cantando "You’re beautiful" e eu achando que abalava Paris em chamas na direção e na voz.
Não tem preço... e nem penas.

Obs.:
Eis que comprei o danado do McLanche. E feliz mesmo fiquei eu com a Bu na minha estante, junto de todos os outros bagulhos incríveis e suas histórias surreais.
Quem foi que fez mungango quando a mocinha de uniforme perguntou qual personagem a menina queria, hein, hein, hein?
Começa com *Mari* e termina com *lyn, eu mesma*.
Vou ali ser criança e volto.
Não já, mas volto, senão a batata esfria, o gelo derrete e o molho estraga.
Questão de dez minutos...

Quinta-feira, Março 23, 2006

[ após alguns minutos olhando para a tela de fundo branco, deparei-me com um vazio de histórias, aventuras, devaneios e alucinações – o que coincidentemente define este espaço.
E o cursor piscava-e-piscava-e-piscava como que querendo apressar meus pensamentos e escrita... tudo envolto num turbilhão de idéias e vivências girando em tão cansada mente.
Comparo então com as-vontades-incontroláveis-que-vêm-do-nada.
Tipo?
Pegar o primeiro ônibus que passar, sem perguntar pelo destino e ver seu percurso e pessoas.
Dar um *bom dia* entusiasmado para um desconhecido.
Entrar num dos *zilhões* de bares que existem pela Capital, sentar e observar... sem ao menos notar a presença do garçom, de caneta na mão e olhar de suplício, pronto para o pedido que nunca sai.
Pegar um livro de receitas, fazê-lo de "Minutos de Sabedoria", marcar com os dedos uma página qualquer, abrir e tentar seguir o que manda o *chef*.
Dar-se conta de que a sinceridade muitas vezes atrapalha a relação entre os seres conhecidamente bípedes ]

A nítida impressão de que meu dia tem somente doze horas parece mesmo se concretizar a cada *tic-tac*.
Marilyn pensou em fazer... passou do prazo.
Marilyn voltou pra pegar o que esqueceu... e o que esqueceu já estava guardado.
Marilyn pensou em assistir... e saiu de exibição.
Marilyn quis falar... mas por convicção, calou-se.

E como dizem por aí, *a vida é bela e ganhou o Oscar*, resolvi experimentar a sensação de atriz-da-vida-real.
Não levei a estatueta ou muito menos borrei o rosto em lágrimas e rímel num agradecimento histórico de 40 segundos, mas aventurei-me em caminhar despretensiosamente, sem pressa, sem lenço, mas com documentos e, claro, com muito mais charme que Paris Hilton [sorry, honey] num shopping *vazio-zio* e para-chamar-de-meu.
Atravessei corredores enormes, espantei-me com preços imorais, caí de amores pelos acessórios que toda menina gosta – parafraseando eu-mesma, comigo-mesma e quase pisei em ovos... em uma loja de departamentos que estava começando sua decoração de Páscoa, com vários deles espalhados pelo chão.
*Shame on me*
Disfarcei o quase tropeço e fiz a travessia das fake-plantas-decorativas, virei a esquina da livraria com a praça de alimentação, enchi-me de coragem e segui decidida a pedir um McLanche Feliz, com esta *cara-de-pau-no-estilo-ipê-que-a-divina-luz-me-deu*.
E com a fila lotada de crianças, vi que eu era uma das poucas *tias-de-vinte-e-poucos-anos* que não acompanhava nenhum adorável ser... pelo menos pra disfarçar e dizer que o lanche não era pra mim... que eu nem queria mesmo ganhar a Bu de brinde...
... Ah, mas eu queria... que puxa, como é difícil assumir e não gaguejar na hora do pedido, tem que ter confiança em si mesma.
Mas para minha tristeza, a adorável bonequinha já havia acabado.
Fiz bico e saí, amadurecida, mas ressentida.
E no auge do apego material não concretizado, fui curar a sensação de perda-não-ganha na FNAC, my-home-sweet-home.
E entre livros de Dostoievski, Jack Kerouac, Van Gogh e outros por *dez dinheiros e cinqüenta cents*, fiz-me feliz.
Era o pote de ouro atrás do arco íris.
Caminhei mais que Forrest Gump correndo em pista de atletismo e saí levando na sacola um DVD que há muito eu procurava.
Título?
- Festival Express -
Sim, eu vivo nos anos 70, veja você minha sandália de couro, minha saia longa, minha bata e meu anel de lua & estrela.
Mesmo cansada assisti alguns trechos do tempo que não vivi e que tenho saudades imensas.
Vai entender... sinto-me a *melhor-amiga-de-infância* de Janis, a Joplin e de Jerry, o Garcia.
Oh, shit!
Detalhe esquecido: fiz a aquisição de Colin em versão DVD.
E esqueci o moço dentro da sacola... será que ele ainda casa?

Segunda-feira, Março 20, 2006

* ... shiiiiiiiiii, fica quieto, senta direito, começou! *

Trocar Colin Farrell por Latino & derivados [ sem link para melhor manter nossa integridade moral ] não foi má idéia de minha parte.
Ah, amiga leitora, você faria o mesmo.
Fariiiiiiiiia que eu sei, sem titubear e sem discutir.
Pois assim eu fiz e assim farei pelos próximos mil anos!
E se eu fosse detalhar a semana, Spielberg faria dela um roteiro.
So, let’s go to Hollywood, baby!
...
Num domingo típico, você liga a TV e tem a "difícil" escolha. Em meio a Didis, Gugus e qualquer outro apelido e programa do nível, você lembra que passou numa locadora dias antes, que se abasteceu de DVDs ma-ra-vi-lho-sos, mas que os guardou na estante por qualquer outro motivo.
Coisas do dia-a-dia, louça pra lavar, livro para ler, horário para isso, horário para aquilo.
Cena 01 – Terça-feira, momento de entrega cinematográfica, *nem pisquei* ao assistir "Por um fio",
com Colin Farrell.
E assim foram oitenta-e-um-minutos sem piscar, sem respirar, sem vacilar.
Ooooopa, vi os extras também, inclua aí meia-hora de suspiros.
Intervalo necessário por motivos óbvios.
Cena 02 – A menina dispensa a pipoca, recupera o fôlego e coloca "Closer – Perto Demais" para rodar.
O tema musical eu já adorava antes mesmo de conhecer o filme. Tudo culpa da amiga Boo. Antenada como ela só, assistiu ao lançamento, ficou encantada com tudo e, numa madrugada, papeando no chat, perguntou se eu havia assistido também.
Dei de ombros, mal sabia de nada.
Ela falou muuuuuito tempo sobre a trilha, os atores e a estória. Aguçou minha curiosidade, fez a pequena Marilyn correr ao Google.
Resultado?
Lá estava eu descobrindo o autor de tão bela canção, dando cara aos personagens e assim "The Blower’s Daughter", de Damien Rice, tornou-se canção-tema de "Closer" e da minha vida.
O medo veio quando Simone-Então-É-Natal teve a ousadia descarada e descabida de fazer uma versão meia-boca... pra variar...
Depois dela, Ana Carolina e Seu Jorge surgiram com uma canção melhorada. Mas ainda assim não troco nenhuma das duas pela original.
E tenho dito.
Ok, a menina aqui espalhou-se no sofá, cantarolou por cem-minutos e descobriu que já tinha visto Clive Owen diversas vezes e que não havia ligado o nome à pessoa.
Não, não freqüentamos a mesma padaria ou cursos de idiomas, mas eu conhecia o rapaz de "Sin City" e "Rei Arthur".
- Nice to meet you, Clive.
Ah sim, o que achei de "Closer"?
Táááááá, ainda estou processando a informação, mas acho que gostei do enredo. Filme de diálogos fortes, mas verdadeiro.
É... tá... gostei.
" and so it is... like you said... it would be..."...
Passados os dias, veio a crise de abstinência cinematográfica.
Hora de redimir-se dos pecados da sétima arte e correr contra o tempo assistindo o que ainda não havia visto.
Cena 03 - Na cestinha, quando dei por mim, lá estava Colin novamente.
[ sinta o grau de intimidade, tamanha a convivência ].
Num sábado, tentei ver "Minority Report – A nova lei".
Repito: t-e-n-t-e-i.
Mas meus neurônios não acompanharam Tom Cruise.
Na verdade, nunca conseguiram, Tom.
I'm sorry.
Troquei então por "S.W.A.T.".
A-d-o-r-e-i-!
Aproveitando a maravilha que é o domingo, revi.
E vi os extras também.
E tomei uma decisão muito séria em minha *ómilde* vida.
Vou pedir Colin em casamento quando acabar de escrever este post.
Cena 04 – No domingo, sem escolhas, vi "Minority Report".
Tentei, por diversas vezes, acompanhar Tom.
Vi tudo, fingi que gostei e decidi dar um pulo despretensioso na Irlanda para visitar o Sr. Farrell.
Prometo voltar, pelo menos, com aliança de noivado no dedo.
Prometo ainda jogar o buquê para quem por aqui passar.
E sim, eu sou ciumenta.

Quinta-feira, Março 16, 2006

[ assobio ]
* don’t worry... be happy *
[ assobio ]


Continuo pegando um trânsito nova iorquino para ir e vir, tropeçando em chão liso e esbarrando em gavetas inapropriadamente criadas para dividir espaço com esta pessoa que vos fala.
[ Em tempo: quebrei a alça de uma delas hoje... esbarrão inocente, juro (!), já que a gaveta que mantém o roxo-esverdeado-vitalício em minha coxa esquerda, permanece intacta ].
Continuo também cantando Aretha Franklin enquanto lavo a louça, prometendo a mim mesma dormir cedo, acordar cedo para, conseqüentemente, livrar-me do trânsito nova iorquino da Capital.
Continuo ainda fazendo desenhos abstratos enquanto falo ao telefone, inventando sonoridades para palavras já existentes, dando três voltas na mesa da cozinha ao acordar, raciocinando em inglês quando fico nervosa e ouvindo o mesmo CD e a mesma pergunta:
- “Você não enjoa, não, menina?”.
E eu enjôo... da pergunta, claro.
Sim, e continuo mantendo certas convicções *

* Convicção
do Lat. convictione
s. f.,
certeza obtida por fatos ou razões, que não deixam dúvida nem dão lugar à objeção;
persuasão íntima;

(no pl. ) crenças;
(no pl. ) opiniões firmes;

Não sei se chega a ser um problema ou cacoete a ser trabalhado, mas minha determinação muitas vezes acaba por tapar o que na minha frente está – como se já não bastasse a miopia...
Quando me refiro neste tom não falo em egoísmo, pois ele passa bem longe de minha pessoa, mas sim, em perceber o que é melhor pra mim em determinado momento, deixando de lado coisas que poderão levar grande parcela de tempo e que não dependem exclusivamente dos meus esforços.
Sou refém do “eu sei” sempre que alguém comenta que eu deveria fazer assim-ou-assado, mas quando me faltam opções o que mais devo fazer?
“É, eu sei”.
Argumento buscando compreensão ou aceito o que me foi colocado na última das hipóteses.
Pra uns, sou forte.
Pra outros, sou sensível.
Pra mim mesma, sou o que sou e continuo a me equilibrar na fina linha do entendimento e da convivência humana.
Sim, acho que toda menina é parecida nos quesitos que eu aqui poderia explicitar e aprofundar, mas que prefiro dar de ombros... são muitos e você deve ter trabalho acumulado, poeira debaixo do tapete, roupas na lavanderia pra levar / receber, filmes para entregar na locadora, crianças para ir buscar na escola, leite quase fervendo, um site mais interessante para visitar ou ainda buscar respostas num final de tarde vendo o sol dar lugar à lua.
Em certos dias a cabeça explode em dúvidas, antigos medos retornam, poucos arrependimentos perdem espaço para lembranças que talvez somente eu tenha e que levarei pra sempre sem, talvez, para ninguém confessar.
Cobro a mim mesma, policio atitudes, tento poupar palavras que soariam rudes, escondo a tristeza num sorriso, demonstro alegria num abraço e muitas vezes sinto-me um fantasma que a tudo observa sem ser notado.
* * * * *
Semana retrasada eu chorei ao telefone enquanto falava com uma amiga... Sim, carregar certos pesos (sozinha) requer agilidade e postura, mas sou humana e disso me orgulho.
Mas ontem à noite pude sorrir enquanto falava com um amigo, no mesmo telefone do choro... mas agora, gargalhando de histórias e lembranças antes perdidas.
* * * * *
E Caetano, sim, o Veloso, disse que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” e eu assinei na linha de baixo, concordando com todos os parágrafos e artigos do contrato.
Além dele, continuo a lembrar do que Renato, o Russo, disse pra mim uma vez.
E ele falou que:

“Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
...
Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim...”
* * * * *
E claro, não posso deixar de citar o convite lindo para a feijoada *completa* da iluminada Luzciana, no sábado.
O feijão vai rolar em São Paulo, mas daqui eu vou brindar seu aniversário, querida!
Seja feijão preto, marrom ou verde.
E que seja!

Domingo, Março 12, 2006

Da série "Isso só acontece comigo"...

# Já não bastava o trânsito louco pra ir e vir;
# As pequenas e grandes decepções do dia a dia;
# Aquele par de brincos que não encontro na caixa de bijoux e que combinava com a saia escolhida;
# A pedrinha do anel que caiu debaixo da cama justamente quando você estava mais do que atrasada, descalça, descabelada e sem rímel;
# A blusa branca (e nova) manchada por beterraba;
# O carro estacionado que bloqueia a saída... e o pior, com o freio de mão visivelmente engatado;
# A mancha esverdeada na perna esquerda que não sai nem com água e sabão há mais de duas semanas... a origem da recente descoberta deu-se ao levantar-me com pressa de uma das mesas do meu provisório e *organizado* local de trabalho, causando-me tal hematoma semanal, por conta da localização estrategicamente posicionada da maldita gaveta que terminarei de quebrar na próxima semana;
# A minha cara de surpresa ao chegar no restaurante em que depositei tanta fome, mas que se encontrava em reforma justamente no sábado em que não havia arroz feito ou qualquer outra coisa temperada na geladeira;
# A odisséia para se chegar a um outro local quando se passa do meio dia, numa Brasília projetada para pedestres, com pouquíssimas e disputadas vagas;
# Um recado que se faz desnecessário e com mais de 8 linhas, mas emocionalmente vazio no quesito *novidade*;
# A segunda-feira que chega quando se dá conta de que o final de semana foi uma b*sta.
Bleargh!
- Garçom!
- Traga uma dose de *Double Dipirona On the Rocks*, please!

Sexta-feira, Março 10, 2006

E dias antes de engolir o ouriço que muito tem me deixado com cólicas estelares e dores de cabeça visíveis a olho nu, ganhei DVDs lindos que há muito queria e dei-me o direito de saborear o melhor sorvete de flocos, com cobertura de chocolate e bastante castanha [ pra dar o *crec-crec* que tanto gosto de ouvir ].
Verificando meu histórico, acho que mereço.
Na verdade, mereço outra taça!
Por favor, garçom!
Capriiiiiiiiiiiicha na castanha e traz num sorriso!
...
Ainda dói saber que não cumpri a promessa que fiz a Bono.
Promessa?
Sim, de ir vê-lo na fila do gargarejo, voltando descabelada e rouca pra casa. Mas feliz... sim, feliz eu ficaria.
Pra compensar, uma boa alma que gravou o show em imagem-mais-que-digital, cedeu-me a lembrança em forma de cópia e fui assistir tudo-tudo de novo... e chorar tudo-tudo de novo... e assim será pelos duzentos anos.
Falando em assistir, o controle remoto parou em minha mão por alguns instantes e acabei caindo na Mtv - coisa que pouco tem acontecido, já que a programação só tem piorado e piorado a cada dia.
O verão na emissora me dá vontade de voltar pro inverno mais rigoroso... que coisa mais chata... um povo com piadas sem graça, querendo fazer o estilo que não têm.
Ok, estrago feito, dei a cara à tapa.
E na escorregada vi que Jack Johnson estará no Brasil em breve.
Emudeci.
Tá, não é um Boooooooono, mas ando tão sensível musicalmente falando que se anunciassem a volta do New Kids on the Block, eu choraria.
Ok, estrago refeito, melhor eu recolher este cansado ser aos seus aposentos porque ele tá começando a falar besteira, efeito das grandes doses de Dipirona.
E fico devendo um post.
Sóbrio.

Sábado, Março 04, 2006

Menina de nomes e codinomes.
De pés descalços ela firma o passo e segue cantarolando e balançando a saia no ritmo que a vida propõe.
Gosta de TV numa quantidade mínima; e quando gosta, o volume do aparelho deve permanecer em um número divisível por cinco... mistério sonoro.
Dá risada quando deveria manter cara de paisagem; fato este comumente observado em elevadores lotados ou salas de espera em consultórios médicos.
Não consegue contar o troco.
Nada em reais, centavos e dinheiros lhe parece lógico.
Gosta de corujas como base para aprimoramento de suas profundas técnicas de observação. Já as conclusões, confabulações e *éteceteras*, ela divide com os amigos numa mesa de bar, enquanto pede a Coca Cola.
Tem ovários policísticos o que amplia enormemente seu leque de amizades a cada ecografia.
Acredita que um dia terá um milhão de amigos, assim como Roberto, aquele que muitos chamam de *Rei*.
Não, ela não gosta de Roberto Carlos e nem de Raul, o Seixas.
Ainda não questionou sua genitora sobre a possibilidade de ter sido gerada no cacau e não na placenta, tamanho o seu amor pelo chocolate.
Ela adora o mar. Gosta de adivinhar qual onda vai desmanchar primeiro... mas, para isso, precisa viajar quilômetros já que o Lago Paranoá não supre suas necessidades visuais.
Se festas infantis contarem com a presença de seres aterrorizantes de narizes vermelhos e bocas carnudas - os palhaços - ela evita e não hesita.
Tem ainda pavor da série “O Incrível Hulk”. Medo este nunca superado.
Em sua estante os livros são posicionados pela cor da capa: azul, vermelho, rosa, laranja, amarelo, verde e branco, vindo assim os dicionários que ela tanto adora.
A menina não sabe desenhar. Frustrou-se logo nos abstratos e desistiu.
Absorve energias facilmente, inclusive quando algum vizinho insiste em colocar sertanejos, calypsos, pagodes e forrós com vozes *hemorroidicas* no volume máximo, o que a deprime infinitamente.
É apaixonada por música.
Ela disse m-ú-s-i-c-a.
Já perdeu noites em claro questionando a possibilidade de Bono Vox ser invenção de sua infinita mente. Se não é, algum defeito tem. Enquanto ela não descobre, fica o mito.
As mãos costumam firmar caneta e papel, num alcance de escala desejado aos sentimentos e palavras.
A menina escreve em vozes sutis ou num berro quase compreensível a olhos/ouvidos de quem vê/lê.
E o anel de lua & estrela testemunha a seu favor e se faz cúmplice nas alegrias, cores e sons.
A menina busca a felicidade, acredita que a fila anda, que o bloco passa e que a nuvem muda de lugar formando desenho no céu de Brasília, ali e acolá.

Quarta-feira, Março 01, 2006

Só porque eu confio no Poetinha.
Ele sim diz o que eu sempre quis e quero ouvir.
E pra cada momento ele está por perto, com poesias cantadas e palavras doces que têm o simples efeito involuntário de me fazer feliz, de me levar pra viajar e de ver cores além, muito além dos potes de ouro.
De forma paciente e compenetrada, Vinícius de Moraes e Carlos Lyra explicaram a este pequeno ser que a Quarta-Feira de Cinzas chegou, que caminha a passos lentos e que logo, logo se finda.
E a menina que, no Carnaval, não saiu de Colombina e que muito menos usou sandália-de-prata-com-adereços-mil, observa tudo com a mão no queixo e os olhos fixos, entendendo que a vida assim também é: caminha a passos que simplesmente passam e que um dia se vai para uma outra forma de vida.
Já o carnaval de nada me alegrou, mas sei que contagiou a outros tantos *zilhões* merecedores e seguidores de um batuque tum-tum-tum.
E para meu Poetinha do *Chega de saudade*, só tenho a pedir que explique a quem queira ouvir, de mãos no queixo e olhos fixos – ou não – que o hoje é hoje e que amanhã é outro dia, e depois outro e mais outros.

"Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

...
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe...
"

[ "marcha de quarta-feira de cinzas",
de
vinícius de moraes & carlos lyra ]
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É um recomeço.
Inclua conceitos e pessoas.