E quem muito pensa que Marilyn passou dias a descansar sob os ares californianos, saboreando drinks *something on the rocks*, mergulhada num banho de cultura de massa centralizada, muito se engana.
A pequena esteve *porraqui* trabalhando tal qual um puro sangue luso-brasileiro, aspirante à coleção de Athina e Doda.
Enquanto folgava no sofá da *firma* ou no cafofo que chama de seu, ela tirou as anteninhas que tudo captam, guardou numa caixinha e colocou-se a sentir toda a brisa verbal desejada.
Ah, cabelos ao vento, sensação de liberdade, faltando apenas o fundo musical que certamente seria *Born to be wild*... Mas o que a sofredora *Marimar* ouviu foram os ritmos *musgais* detestáveis, graças à greve vitalícia dos órgãos públicos infames que perpetuam preguiça e falta do que fazer há dias nos arredores.
Ai, logo eu que sofro de vergonha alheia, minha gente!
É só escutar a voz hemorroidal de Joelma, acompanhada pela tufa descolorida e desbotada de seu parceiro de nome deveras peculiar, Chimbinha, que recorro ao algodão nos ouvidos, previamente guardado na gaveta, na busca de alívio físico-intelecto-mental.
Na tsunami *musgal*, vem Latino e suas letras duvidosas que ligam *nada a coisa nenhuma* numa tentativa vã de se fazer poeta... de quinta.
No topo da onda que força a [necessária] má audição, surgem os axés que ainda teimam em pulsar, para a alegria de periguetes e playboys ltda.
- Doses cavalares de Semancol na veia para o efeito surtir imediatamente, clamam os bens aventurados!
E se eu fosse da diretoria das autarquias sonoramente afetadas, juro que já teria dado o aumento percentual solicitado, mais os extras, com direito a beijo na testa e cafuné.
A Copa do Mundo que faz correr em campo, num bailado bonito aos olhos, também faz das ruas pistas de circuitos inadvertidamente fechados.
Enquanto cantarolava, esperando o trânsito fluir, a menina viu atropelamento na via contrária ao seu destino e, tremendo e chorando chegou no trabalho, mas não lembra como, só sabe que chegou e sentou.
Putz, uma vida... Passei o dia em estado de choque.
Logo eu que desvio de formigas que trafegam chão afora? Vi o que vi sem poder fechar os olhos, sem poder sair do lugar, sem nada poder fazer.
A euforia deveria ser algo bom, não é mesmo, Aurélio?
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Mais um sábado chegou, foi bem vindo, sempre será e serão todos eles!
Poucos dias sem devaneios nem fizeram cogumelos brotar no jardim da menina!
E da janela, ela somente enxerga suas gérberas, begônias e rosas crescendo e colorindo o jardim.
> Problemas diários, ações rápidas, idéias no lugar, soluções atemporais.
> Amigos-amigos ao telefone nas versões vozes, escritas e digitalizadas.
> Beatles, Doors & Janis na vitrola, nas rotações que a menina pede.
> Frio, cobertor, chocolate e a certeza plena de que quem faz sentido é o tal soldadinho de chumbo.
[ Não entendeu nadinha? Então seja um dos primeiros a receber seu vale-desenho na recepção! ]