::gil elvgren::

Sábado, Agosto 26, 2006

* por onde andei *

Aí você acorda cedo, enfrenta um trânsito imoral, finge que não ouve a música de origem duvidosa do carro ao lado, desvia de bandeiras com motivos políticos, desembesta a rir quando vê fotos da campanha de candidatos - que você conhece desde o *tempo de guaraná com rolha* - subtraídas de pés-de-galinha, rugas ou quaisquer marcas de expressão, avança meio metro, depara-se com bonecos horrendos e nem um pouco criados imagem & semelhança ao pobre aspirante candidato ao cargo de corrupto, escuta aquela música que tanto adora e que queria ouvir, cantarola, sinal vermelho, desafina, sinal verde, seta para a direita, passa a terceira marcha e... cadê o estacionamento que tinha aqui?
Pois *Zé*, e eu achando que o moço Murphy havia me esquecido, arrumado a mochila e partido para Tuvalu, levando somente lembranças de um tempo de nós dois. Mas nããããooo, ele estava lá quando meus olhos marejaram tristes ao ver o estacionamento fracionado sem nenhuma vaga em vista.
Não tem mais desolador...
Na verdade, tem sim. Cercaram o local e cavaram tudo ao redor para fazer brotar mais um prédio... que futuramente será habitado por mais pessoas, com mais carros e, conseqüentemente, menos vagas.
Jamais poderei suportar!
Pô, JK, assim não dá para ser feliz!
Na verdade, dá sim. Abstraí o *dia maratona* e concluí a missão pela busca do presente perfeito. Adianto que sem a ajuda de Tom, o Cruise, credo em cruz!!
O momento *surpresa-do-dia, freguesa!*, foi o encontro com a amiga de tempos e e-mails no shopping onde todo mundo se encontra. Porém, mais espontâneo mesmo foi o mico das caixas empilhadas que a menina delicadamente encostou e que rolaram prateleira abaixo. Ora, ora! Lugar estratégico para se colocar objetos de formatos diversos: bem na frente do Café lo-ta-do da loja que vende *cedês*, *devedês* e *eteceteras* e, bem perto de minhas habilidosas mãos inabilitadas... Não deu outra...
Se a platéia assistiu a queda do Império?
Claro que siiiiiiiii! Faltou aplauso e o grito de *olè* somente.
Mentalizei:
- Super *Gêmulas*, ativar! Forma de planta!
Fiz cara de paisagem, contei com a ajuda solidária de uma das atendentes e, muito bem resolvida saí, pisando firme... mas quaaaaaaase correndo tal qual um guepardo pós-vexame.
E mais lesada que a pomba-lesa aqui não há. Voltei ao mesmo recinto desolador, já que havia deixado para comprar depois a caixa linda que observara enquanto gargalhava com a amiga nos corredores da discórdia. E foi no caminho da realização consumista que vi a cena acontecer em câmera lenta: outra atendente em posição de vantagem se aproxima, agarra o produto desejado por minha pessoa e gruda um adesivo broxante de *reservado*.
Jamais *poodle* ser feliz assim...
Guerreira, enxuguei o rosto e parti em busca da caixa sonhada. Com toda a malemolência e ginga da mulher brasileira que sabe derrubar coisas, ativei a *coordenação motora plus* e fui na fé: achei caixa, fitas, cartões, *fru-frus* e com dignidade, minha gente!

Montei o presente mais lindo e prateado que escolhi há dias, preenchi a caixa - muuuuuuuuito mais bonita do que a *reservada* - de papel celofane de todas as cores, adicionei incenso e sachê de lavanda e, para ficar *mais-charmoso-impossível*, fita dourada para o laço.
Tudo isso direto para Guarulhos, com amor, para a minha *gêmula do coração*.

Semaninha punk, de moicano e ao som de Sex Pistols! Acho mesmo que preciso de um fortificante: fugi de festinhas daquelas *buuura, gente!* e deixei na gaveta o convite *VIP, tá!* para os desfiles do Capital Fashion Week que ganhei assim... ganhando, sabe?
Ah, o cansaço foi muito maior do que a vontade de me montar toda e seguir rumo ao mundinho da moda e luxúria que teoricamente me dá uma preguiiiiiiça.
Para animar, só mesmo o telefonema do *amigo-irmão* Ney, aquele que me entope de histórias engraçadas, de fazer doer a barriga de tanto sorrir!
E o sábado chegou... com ele, mil tarefas, oh!
Será que eu vou sofrer?
Apostilas chatas para absorver, livros legais empilhados, faxininha na espera e o sábado cadê?
Acho que quero outra sexta!
And I want it now!

Domingo, Agosto 20, 2006

* vou te contar... *

Dá-se o nome de rotina à sucessão de dias que começam muito cedo e que rapidamente também se esgotam. No recheio, tardes quilométricas que teimam em se prolongar mesmo que você abandone a mesa, empurre a cadeira, levante num *salto duplo twist carpado* e caminhe até a enorme janela para ver um trânsito que não flui e seguir os passos apressados dos transeuntes tantos. E mesmo descendo a escadaria para comprar um necessário chocolate - já que o almoço do restaurante ficou a desejar [também] no quesito *saladas* - ainda assim, a tarde não dobrava a esquina, seguindo num slow motion cinematográfico, colocando a menina como a protagonista da trama do turno vespertino vitalício.
E depois de tanta espera a noite chega e, com ela, o tempo curto que não permitiu assistir ao filme que a amiga emprestou, ouvir o CD preferido ou simplesmente fazer nada. Sem saídas, entoei o mantra da sexta-feira e pus-me a visualizar um final de semana repleto de descansos, soninhos e rádio ligado na estação que toca o set list escolhido a dedo.
Sim, salabim, a sexta chegou! Não trouxe meus pedidos todos, mas afastou de mim o cálice, pai, da rotina que esgotaria um monge budista tibetano no auge de sua meditação transcendental.
E no intervalo do Toda Menina Show:
# dormi muito mais cedo do que o habitual;
# guardei segredos;
# confidenciei outros;
# gargalhei de histórias inacreditáveis;
# venci medos bobos;
# fiquei na ponta dos pés para quase tocar o céu azul que amo;
# chorei de saudade enquanto ouvia aquela música da Des’ree;
# recebi recado deveras inusitado;
# andei *mais que a burrinha* em busca do presente perfeito;
# conversei horas a fio com a querida família de Guarulhos...
... Primeiro com *mamis*, responsável por parte das melhores gargalhadas, segredos e lições da semana. Depois e, por quase toda a semana, com a minha *irmã-gêmula*, enquanto tomávamos o tradicional *chat das cinco*. Na sexta, ela me mostrou umas fotos e eu comentei sobre a vontade antiga de fazer uma tatuagem de flor. A *gêmula*, além de me mostrar imagens de suas lindas tattoos, deixou a menina emocionada com a história que originou o desenho de uma delas e me fez chorar ao sugerir que eu tatuasse a mesma *flor de janeiro*, fotografada pelo *mais velho* e que ela ostenta com orgulho. Ai que aflição, fiquei encantada... História longa, daqueles *laços de família* que nem Manoel Carlos saberia contar ao som da melhor bossa.

P.S.: e já troquei a imagem de meu wallpaper: saiu a gérbera e entrou a *flor de janeiro*... vou pensando, honey!

Domingo, Agosto 13, 2006

A menina esteve distante da civilização Wide World Web por alguns dias. Uma espécie de *spa-urbano-virtual* que no pacote não incluía massagem, ofurô, sais ou saladinhas.
Na verdade, foi um período de reflexão tibetana suficiente para concluir a falta que a conexão com o mundo faz no lar.
Fique, calmos, não farei nenhum depoimento sobre esta *página da vida* já superada, não é mesmo Maneco!?!
Semana passada, aproveitando que estava no shopping, resolvi dar uma checada em recados & afins na *pseudo lan house* que a loja oferecia. Pseudo? Sim, privacidade não há. Existia toda uma população que pelo mesmo corredor caminhava e que, quando eu me distraía um pouco mais, era surpreendida por centenas de pares de olhos desconhecidos e arregalados direcionados para o monitor que me fora emprestado por alguns minutos. Jamais mereço!
Maaaaaaaaas já que não tem tu, vai tu mesmo!
Estou numa *pseudovolta*.
Cheia de afazeres e com o tempo *escasso-so-so*.
Em breve retomarei as atividades do Toda Menina Inc.
Histórias, aventuras, devaneios & alucinações?
Aqui tem.

Terça-feira, Agosto 08, 2006

A menina está na FNAC.
Fazendo compras?
Também.
E usando a internet, já que seu computador foi atingido pelo aquecimento global...
Eu volto.
Só o técnico sabe quando!
.
.
.
Comportem-se!

Sexta-feira, Agosto 04, 2006

Sinta o teor repetitivo.
Desconsiderem.
Voz na menina não há...
E não existindo voz, não há texto...
Mas agradeço aos deuses da escrita [ com um bilhetinho! ] por assim me permitirem o dom da comunicação, mesmo que por sinais e letrinhas!
A virose infame a que fui acometida há dias tem suas fases e, depois da febre, da garganta, dos ouvidos e *eteceteras*, agora estou praticamente como um pato rouco tentando me comunicar com você que se encontra lááááá do outro lado do rio.
Visualizou a cena?
- Então, doutor, tudo começou na quarta-feira quando acordei e na vã tentativa de dizer *bom dia!*, fiz uma imitação espontânea de Margarida, rolo de Pato Donald.
Cadê a voz da menina? Não havia!
No trabalho, passei na recepção, tentei emitir sons e ouvi:
- Oh, ela está sem voz!
Como é engraçado ficar afônica, não é mesmo, pessoas?
E a chacota perdurou por todo o dia. Lá pelas 11h, precisei chamar um táxi e resolver umas coisinhas básicas fora do recinto e, adivinhem, o taxista também sorriu de minha voz de ganso rouco, mas que abuso!
Cheguei, desci elegantemente do *quase-dirigível* e segui rumo a recepção para me identificar.
Sim, os recepcionistas sorriram. No segundo balcão, o moço também e ainda comentou:
- Olha, ela está sem voz!
Senti-me a foca do Circo Imperial, mas aviso que se jogar sardinha leva uma bifa como número principal.
Silenciada, voltei ao trabalho, almocei com a amiga e não poupei a voz-nula no restaurante cheio e barulhento.
Ah, eu pequei, eu sei, eu pequei, poderia ter ficado calada.
Durante todo o dia eu me atrevi a atender um telefonema e foi como um parto de cócoras na Namíbia, sem Brad para segurar a mão. A pessoa do outro lado da linha gritava *alôres* mil e eu também gritava, mas pouco resolvia.
Somente sei que ao final do dia resolvi voltar pelo Pronto Socorro. E a novela de Maneco não termina aqui, Helena. Tive que praticamente pedir gentilmente a caneta da moça apática que me atendeu no PS para escrever/desenhar o que eu sentia e precisava. De um clínico, *pelamor*, sua jumenta!
Fiquei sentada e muda por duas horas. Quem chegou depois de mim foi atendido, estranho... Desenvolta e afônica, puxei papo com um cara que estava na poltrona ao lado e que já se encontrava por lá quando cheguei. Sim, ele sorriu de minha voz, claro. Mas serviu de intérprete entre a enfermeira e a songa-monga da recepção que havia perdido nossos prontuários, veja só, olhe bem!
Mofaríamos naquelas poltronas, hunf!
E o médico examinou, deu bronca e atestado por alguns dias.
Disse ainda que eu deveria poupar a voz inexistente.
- Mas no blog pode, né, doutor?
Claro que não perguntei isso, ora, ora! Mas cá estou, comunicando-me virtualmente com os bem aventurados.
A página de recados no Orkut parece aqueles recadinhos copiar-colar, com os amigos queridos perguntando se estou melhor, se a voz voltou ou, ainda, com os mais afoitos, dizendo que vão me telefonar.
Jamais mereço!

No mais, juro que vou parar de falar em viroses.
Inclusive, muito desejo os dois almanaques que vi na prateleira da livraria, semana passada.
Um sobre os anos 70 e o outro sobre os 80.
Quem já viu?
Quem vai querer?

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

Poucas são as certezas se certezas realmente são. Talvez nem seja conveniente dizer que a tosse ainda tem feito a menina ver Jesus, que os ouvidos e a garganta tomaram vida própria e se rebelaram contra este pequeno ser, que a voz *zenzual* e rouca lembra muito a de um pato *quá quá quá*, que o clima de eleições, os bonecos gigantes, as bandeiras, as ruas sujas de panfletos, o botox, o pó-de-arroz e a pseudo hipnose dos candidatos muito irrita, que ligar a tv e deparar-se com Felipe Dylon “cantando” e se espremendo todo é de chorar de rir, que ligar a tv e esbarrar com Colin Farrell é sentir contrações uterinas e ouriços estomacais, que o Sono chamou assim *Marilyyyyyn*, ela atendeu questionando *oi, é comigo?* e que ele calado e sensato permaneceu.