::gil elvgren::

Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Hoje...

... Por uns instantes eu precisei fechar os olhos e voltar ao tempo em que eu era uma criança somente e simplesmente; sem compromissos ou responsabilidades; com muitos por quês e outros tantos mais.
Lembrei que eu saía para caminhar pelo bairro e fixava os olhos no horizonte do planalto central, querendo chegar lá naquela montanha, naquela árvore, ver o que tinha por trás de tanto chão, conhecer aquilo que me parecia tão distante, tão mágico e tão próximo.
Nunca esqueci dessa vontade. Nunca fui além da calçada, apesar da insistência em chegar a lugar algum.
Cresci imaginando mil coisas e poucas delas tornaram-se realidade. Desviei a rota e caí na contramão, contra o vento. Vivi conforme as necessidades, deixando de lado as vontades e levando bronca porque sempre me esqueço no banco da praça e jamais me encontro no Achados & Perdidos.
Hoje, por uns instantes, eu precisei fechar os olhos e voltar ao tempo em que eu era uma criança somente e simplesmente; eu quis fugir da realidade que a vida se transformou.
O horizonte foi tomado por prédios e antenas de TV, a caminhada seguiu outros rumos, pegando carona numa montanha-russa. Os compromissos e as responsabilidades se acumulam e eu preciso responder a por quês que na infância não aprendi.
Crescer antes do tempo, tomar atitudes, pular etapas e chorar escondido. Não comparecer ao baile de formatura, faltar aquela festa e perder o churrasco da faculdade... Só porque ela tinha um *porque* diferente do seu e ponto, compreenda, não julgue.
Se eu realmente pudesse, traria de volta a serenidade da vida que a criança idealiza: de cores, de alegrias, de saúde e de paz interior.
Porque hoje eu questionei a existência sem cor, entristecida e turbulenta de uma vida mal vivida...


[ Nanci, não esqueci de seu pedido. Próxima publicação. Juro. ]

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Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

*Le fabuleux destin... *

Contabilizo esta como a terceira ou quarta vez em que me disponho a comentar termos banais e outras atemporalidades de uma vida sem frescuras aqui no *TM*. Mas se o sono vem em dose cavalar, ou falta energia no bairro ou há uma crise existencial de idéias, as prateleiras ficam repletas de um comércio vazio de acontecimentos vencidos e de uma criatividade ausente.

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Saudadinha dos tempos em que escrever sobre o cotidiano era lei nesta bodega retrô. Mas vamos retomando as atividades blogais aos poucos, com paciência e perseverança, lá chegaremos.
E avante!
Como petisco, que tal mais um da tentadora série *... e se eu contar, você acredita?*.
Diante da imaginária afirmação, destaco o fato da semana, matéria de capa, primeira página de jornal.
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Caminhar é preciso, mesmo que você esteja cansada até o talo. A motivação dá-se pelo estômago ainda não alimentado às 16h, pelo percurso sacal-porém-necessário para a chegada ao horizonte desejado e por algumas histórias sem fundamento que você escuta ao longo do dia e que autoconfabula enquanto volta de onde veio, seja caminhando, seja sendo encaminhada.
A menina desviou o salto do buraco, olhou vitrine, atravessou paredões, enfrentou chão ora liso, ora úmido, passou da almejada catraca e finallmente chegou na escada rolante com desenvoltura, graça e humildade. Ao escutar o barulho do metrô-retrô que muito se aproximava, apressou o passo, mas foi ferozmente inibida por um ser em trajes sociais, medindo... hum, vamos ver, quase 1 metro, se muito.
Sentiu-se num episódio da *Ilha da Fantasia* futurístico com um aspirante a Tattoo. Ela não sabe de onde ele surgiu, mas o pequeno ser ousou em manobras radicais e simplesmente se jogou no vagão do trem e acreditou que seu corpo meigo e pequeno nenhum impacto sofreria... justamente por ser tão pequeno, ora. Já se era meigo, jamais posso julgar! Era a personificação do gnomo viajante de Amèlie, a Poulain!

Sim, eu me preparava para adentrar o metrô quando esta mini-pessoa sentiu-se no direito de fazer um salto duplo twist carpado bem na minha frente, deixando-me *anões-luz* de desvantagem, o que, conseqüentemente, fez-me perder o trem das onze, doze, treze, quatorze horas.
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Mas e agora seria redundante se eu dissesse que hoje é sexta-feira e que eu quero mais é transcender num cochilo imoral?
Ah, jamais seria, mon petit!
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E que venha o sábado, com gosto de visita em casa, capricho no almoço e sobremesa sem pecado, rogai por nós!



# imagens do filme *Le fabuleux destin d'Amélie Poulain*
# trilha sonora

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Sábado, Janeiro 20, 2007

We'll always have Paris...

Na noite passada eu dormi com Lenny, o Kravitz. Ele cantou all The Greatest Hits all night long only for me and he just said and repeat "... I belong to you, and you, you belong to me too...". Conversa-cantarolada para Marilyn dormir, obviamente.
E assim entorpeci-me. Expectativas não superadas, pois. Acordei, ou melhor, fui acordada por uma penca de multidões em polvorosa debaixo de minha janela a conversar em demasia. Incômodo medido em X decibéis e raiva em intensidade registrada por sismógrafos.
Eu juro: se minha semana tivesse ultrapassado mais 0,5% do estresse que foi, eu talvez teria apelado para a tática do *balde cheio de água que acalma pessoas efusivas*, acompanhado por um *vá se lascar* bem sonoro. Ok, jamais foi necessário perder a dignidade assim. Olhei para o teto, mentalizei o chavão do *só o amor constrói*, abstraí vozes & ruídos ltda., abracei o travesseiro, concentrei-me em mais algumas poucas horas de sono, joguei-me e acreditei em Morfeu, o deus dos sonhos e de braços torneados, salve, salve.
Falando em *torneados*, a esta altura, o pobre Lenny já havia cantado mais de quinze vezes os quinze Greatest Hits seguidamente e repetidamente only for me. Thanks, baby. You always bring me peace of mind, heart & soul.
E no retrocesso semanal, pude concluir que Paris, a Hilton é muito mais feliz do que eu. Ah, que novidade! Mas por um momento de intensa insanidade mental, eu quis experimentar o glamour da vida Parisiense Hiltoniana. :D
Sim, eu acho aquele ser completamente desnecessário como pseudo-mito-de-qualquer-coisa: ela vive numa bolha, preocupando-se somente com o próximo escândalo estampado nos noticiários da vida alheia ou com a raiz do cabelo escurecendo; mas por instantes eu gostaria de testar a serenidade de uma vida leve, deixando de lado preocupações, problemas, rotinas e resolvendo tudo na base dos flashes artificiais das superficialidades.
A semana trash. Daquelas em que você pensa e repensa numa resolução que não vem; daquelas em que você atura pessoas, que respira fundo e que engole seco a resposta torta que ouviu para não responder pior; daquelas em que você se pega chorando na mesa do trabalho sem deixar ninguém perceber; daquelas em que, para desabafar o choro contido, só mesmo isolada num banheiro borrando a maquiagem. Trash a semana.
Ai, férias de mim mesma, por favor. Um momento de futilidade para Marilyn, ela precisa. Porque simplesmente ser e estar tem ficado deveras complicado. Lidar com a hipocrisia diária, pagar contas em dia, procurar ser uma boa pessoa e resolver grandes questões existenciais *é muito humano para uma menina só*.

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Sábado, Janeiro 13, 2007

Por um momento pensei em anotar algumas idéias e outros acontecimentos ltda. para aqui publicar, mas só porque era sexta-feira, eu coloquei meu vestido preferido, subi no salto e segui rumo a mais um dia de afazeres e bocejos sem a menor pretensão de fazer sentido, pois, se você bem lembra: se alguém precisa fazer sentido, que seja o soldadinho de chumbo, sim senhor!
Dias cinzas em todos os aspectos e tonalidades. Para compor bem o ambiente, nada como Bob Dylan na vitrola e pensamentos logo ali.
E de todas as vezes em que no relógio olhei, eram 11:11, 12:11, 13:11 e assim por diante. Há dias eu me divirto adivinhando músicas na rádio, guardando segredos, gargalhando até dar uma dor e fugindo de chatos; tarefa difícil, talvez a maior de todas se considerarmos fatos e históricos.
Ah, o Orkut tinha tudo para funcionar. Reencontrar seu coleguinha do maternal e saber que ele está feliz é uma dádiva, mas os chatos, ah, os chatos e inconvenientes gritam *presente* a cada atualização da estatística e você não compreende a razão daquele ser inanimado habitar seu mundo, sendo que, este mesmo ser não compartilha vivências ao visitar sua página diariamente.
Porque é quase matemático: tudo é composto de fases e a instabilidade me cansa. O Orkut, além de inoperante, tornou-se instável. Apagar recados virou clichê. Atestar para todo e qualquer fulano de tal que ele *é uma pessoa maravilhosa* sem a menor verdade também, mas vigiar recados alheios não deveria ser clichê, não, minha gente! É deveras tosco!
Para fugir do flagrante, o *meliante virtual* utiliza a tática dos recados vazios e eu me acabo de sorrir. Tudo bem, pode até ser boa intenção, *não-sei-desconfio*, mas desejar um *ótimo fds* em plena quarta-feira é, no mínimo, cabalístico...
Ah, faz *favô*, né? Vê se te emenda!

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Domingo, Janeiro 07, 2007

Prefiro não fazer planos porque sou a cheerleader principal que anima o time dos que se programam e tudo dá errado. Não adianta. Se eu acordar desejando comer isso ou aquilo, abrirei a geladeira e o isso ou aquilo estará em falta. Se eu resolver lavar roupa, o céu vai ficando nublado até cair uma chuva torrencial. E se eu decidir sair, não lembrarei do feriado nacional que lotará toda e qualquer área recreativa da cidade. Não adianta mesmo, Murphy muito me ama e eu continuo empurrando a oferenda para o mar. Não fiz listinha top-top de desejos e promessas como há muito não costumo fazer; prefiro viver na emoção do desviar de situações inesperadas do que sair de casa robotizada, calculando passos, medindo expressões, tabelando vida. Quero o ontem, o prenúncio e o agora porque o amanhã, ah, vem amanhã.

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Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

- Passar os dias que antecedem o ano novo com enxaqueca?
Tem preço sim e o caixa da farmácia bem sabe qual foi o saldo.
diiiiiiiiiias aquela dorzinha fina me acompanha. Ambiente escuro, bolsa de água fria no rosto e mergulhada em analgésicos, essa sou eu.
Desejei *feliz ano novo* a todo mundo e esqueci de pedir o meu também, *druga*...
E assim foi na sexta, no sábado e no domingo, dia em que eu mal pude sentir o cheiro do almoço gostoso que quase *desengoli* o que não havia ingerido. Enjoada as pampas.
Esqueci até de pegar a encomenda *dos comes*, minha gente! Passando do horário de entregas, ligaram para saber se eu *dava ou se descia*. Nem um, nem outro. Alguém foi lá receber torta e salgados por mim, enquanto eu tinha alucinações analgésicas que jamais fizeram efeito até o presente momento.
Do 31 para o 1º, não fiz nada de diferente, continuei de cama, ouvindo os malditos fogos que me doíam a cabeça, a pleura, o dedão do pé.
Para piorar, vem a posse do molusco. Mesmo com dores e dopada de remédios, não pude deixar de sorrir com a palhaçada que o governo inventa e a quantidade de manés que faziam as honras da casa ao jegue do presidente. Não me refiro ao meio de transporte, não. O jegue equivale ao molusco, se é que você me entende.
Agonia maior foi ouvir aquela boca cheia de saliva de Lula... E eu que já estava enjoada, quase tive refluxo. Definitivamente ele não sabe articular palavras. O que era para ser *Presidência* vira *presidença*, *importância* vira *importança*, *micro-empresa* acaba por virar *mico-empeza*.
Ô vergonha que eu passo com esta Mula...
Toda a bancada da quadrilha organizada de gravata vermelha! Parecia o tal RBD de tão cafonal! :D
E em Brasília chove, chove muito... E eu desejando mais chuva ainda para acabar com a make-up-massa-corrida da cara de primeira-dama metida a papagaio de pirata, torcendo para que um raio atinja a lata-velha que leva o molusco e que um canhão vá em direção àquela boca cheia de dentes dele...
E já que o povo gosta de sofrer, que sofra, mas sofra muito.
A enxaqueca até que me cai bem, só assim não vejo o que se passa.
Bons delírios a você também, se não for um deles, claro.

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