::gil elvgren::

Sábado, Março 24, 2007

Passando as pontas dos dedos na mobília, vejo que a poeira tem mesmo pairado neste hall de devaneios.
Hora de voltar?
Até seria, mas a menina precisa de forças para retomar o que tanto poderia amenizar preocupações e tristezas ltda.
Antes de rabiscar o papel há pouco lançado na lixeira, eu havia feito um rascunho sobre Fernando e todas as suas Pessoas. Lembrei de como ele sabia disfarçar bem a dor que deveras sentira em sua autopsicografia.
O poeta é um fingidor, mas os amadores também, Fernando.
- Ouviram bem, meninos? Todos atentos? Álvaro, Ricardo, Alberto e Bernardo?
E enquanto ainda tento ingressar na classe amadora, vejo que meu destaque tem sido maior como aspirante. Tenho deixado a desejar no quesito *chorare* e o fingimento torna-se evidente.
Não sou poeta e muito menos sei fingir alegrias ou esboçar sorrisos e tudo isso equivale a um único refrão *sim, estou triste*, mas prefiro cantarolar “Eu finjo ter paciência”, fazendo dueto com Lenine e reanimando a fé que habita em nós.

.e eu só peço que tudo fique bem.

Quarta-feira, Março 07, 2007

[ reservado ]

Porque eu não consigo ir além da tela de fundo branco e de parcos caracteres. Uma espécie de sala de estar sem móveis ou quadros nas paredes.
*Em reforma*, diz o letreiro com a placa torta, claro. Mas proprietária que sou, busquei a chave do cafofo no fundo [ que teimava em ser falso ] da bolsa que logo se tornou um mexe-remexe de idéias, conceitos, suposições, devaneios e conclusões declaradamente precipitadas.
Adentrei tropeçando em correspondências que por debaixo da porta foram sendo colocadas tão quanto estive fora. Encontrei as almofadas em seus devidos lugares, as flores hidratadas e majestosas, talheres, copos e pratos impecáveis e sem vestígio algum da lasanha que outrora serviu de boas vindas, de passagem, de estadia, de gentil carboidrato simplesmente. Agradecimento pelo zelo com a casa que agora também oferece pufs novos para o conforto dos queridos e seletos visitantes.
A menina aqui ainda não retomou sua rotina de aventuras & alucinações. Ainda, ela frisa bem. Passei somente para recolher as correspondências, abastecer a geladeira, empilhar mantimentos na dispensa e dizer um olá-tudo-bem-como-vai a vizinhança simpática.
O caderninho de anotações, pensamentos e lembretes permanece com a caneta ao lado, na mesa composta por luminária, porta-retrato e telefone, mas a intenção de chamá-lo de *querido diário* inexiste, Bridget.
Na verdade, tenho guardado preocupações e incertezas em compotas distintas e distantes daquelas que conservam as esperanças e alegrias em temperatura indicada no verso da embalagem. Tudo porque eu jamais deixo escapar a busca pelo o que parece distante, oceano ou continente.

“A vida é igual em toda a parte e o que é necessário é a gente ser a gente”
:Clarice Lispector: