::gil elvgren::

Quinta-feira, Junho 28, 2007

Porque eu sempre fui muito parecida com ela, todos falam:
- Mas essa menina é a cópia! Olha só, veja uma, olhe a outra!
Temos o mesmo sorriso, o mesmo signo. Dividimos temperamentos parecidos {momentaneamente}, quando eu precisava de calma, ela me enchia de ansiedade e vice-versa. Nós também temos os mesmos sinais de nascença, as famosas pintinhas; uma delas, inclusive, do mesmo lado da mão, no mesmo lugar. Falando em mãos, são idênticas. As unhas curtas e as linhas arredondadas, contornando os dedos. Nossos cílios são longos e os olhos mudam de cor conforme o humor, a gente brincava; as histórias de vida se misturam em alegrias e tristezas, realizações e frustrações, medos e o *olhar pra frente*.
Quando eu tinha crises de enxaqueca, ela brigava comigo, dizendo:
- Aposto que foi o chocolate!
E mesmo dando uma bronca decente, cortava legumes e verduras para fazer a famosa sopa e ia até meu quarto, de cinco em cinco minutos, para saber se eu já tinha melhorado, se eu queria que ela dormisse lá, para me dar um beijo na testa.
Ela já enfrentou filas longas por minha causa: em hospitais, quando eu estive doente; no curso, quando eu precisei concluir o inglês; na escola, para as fatídicas reuniões de pais, em shows, para comprar nossos ingressos.
Ela me mostrou que não precisava ter vergonha de demonstrar sentimento algum, gargalhava alto, chorava a tristeza, dançava conforme a música, ela invadia o ambiente.
Ela me ensinou a gostar de música brasileira, ouvia Elis Regina e Clara Nunes. Comigo ela aprendeu a gostar de Janis Joplin, de Zeca Baleiro e de U2; quando eu chegava do trabalho, ela dizia, numa intimidade única e expressiva:
- Adivinha quem eu vi hoje? O Bono.
- Como se ele tivesse passado em nossa calçada, eu dizia. E ela contava o que havia assistido na matéria da TV, com detalhes; daí eu pegava um DVD qualquer e íamos assistir a Janis gargalhar, balançando a juba colorida e o colete dourado ou então cantarolar *eu vi mamãe Oxum na cachoeira, sentada na beira do riooooooo...*.
Porque a gente gostava de sair e um programa ideal para nossa dupla perfeita era almoçar. Caminhávamos pelo shopping, olhando vitrines surreais e acabávamos numa mesa da praça de alimentação, ela na comida árabe e eu na chinesa.
Um dos presentes que ela mais gostava de ganhar era perfume e tudo mais que exalasse cheirinhos suaves, e eu me aproveitava desse conhecimento e a enchia de rosas e gérberas sempre que podia...
... Assim como fiz no último dia das mães que passamos juntas. Fomos pegá-la no aeroporto, ela voltava de uma viagem que nem deveria ter acontecido porque, pior do que sofrer injustiças de quem chamamos de *estranhos*, é sentir-se privada de tentar viver mais por quem ela chamava de *família*. A viagem foi desnecessária porque ela não precisava passar pelo o que passou. Logo ela. Até então admirava quem disse que ela poderia morrer a qualquer momento... que deveria voltar pra casa, mas cada um dá o que tem, a verdade ficou explícita e não há o que consertar.
O bom é que ela voltou para sua casa no momento exato e nós, sua verdadeira família, ficamos felizes por isso. Fizemos tudo dentro de nossas possibilidades para que se sentisse segura e confortável, mas ela decidiu partir...
No dia 26 minha mãe foi embora... mas desde muito antes meu coração já alertava que era preciso deixá-la livre, deixá-la seguir ou ficar. E nessa convivência diária, evitávamos chorar para não entristecê-la com nossas fraquezas; e a dor que reinava em nossos corações, tornou-se fortaleza...
Até o último momento em que pude segurar sua mão, agradeci por tudo que ela fez, pedi perdão por meus erros e disse que se ela decidira caminhar por outros mundos, que fosse em paz, que eu jamais esqueceria tudo o que fez por nós.
Obrigada, *Dona Natércia*, você vai comigo aonde eu for porque eu tenho seu sorriso, suas mãos e sua força.
Obrigada, mãe. Eu amo você também. E muito.

Segunda-feira, Junho 25, 2007

Porque algumas vezes eu menti. Na verdade, não menti, não. Eu omiti. E quer saber mesmo? Não prejudiquei ninguém. Ao contrário. Somei, *moléstia* à parte.
- What am I talking about, babe?
Estou falando sobre os obstáculos que vencemos no day by day com toda a malemolência que nos é graciosamente dada.
Vamos aos ilustrativos exemplos, amiga avon.
Sou publicitária daquelas nem tão ortodoxas ou praticantes da fé e um dos meus primeiros empregos foi no... foi no... Jornalismo. Ai, como eu tinha medo, muito medo de não conseguir, de falar bobagens, de escrever asneiras e de ter minha vida profissional discutida em mesa de bar, ao som de qualquer canção de Djavan, regada por cervejas e salaminhos. Mas {ufa!} eis que nada disso aconteceu... *apesar de* e *graças a* toda a minha cara de pau. Quando perguntavam se eu sabia fazer determinada coisa {que jamais havia visto como era feita, mas que eu deixava assim, nas entrelinhas e parênteses da vida}, eu respondia:
- Oh, claro que sim, é óbvio que sei fazer! Dá aqui logo! Ora, ora, dá aqui!
E fazia. E no intervalo que antecedia a prática e que se seguia após a resposta positiva e confiante, eu pensava:
- Jesuuuuuuuus, acende a luz! Tapa minha boca pra eu falar menos, guia meus pensamentos pra eu pensar antes de agir, controla meus impulsos para eu não sair falando que faço e refaço e me proteja das más pautas, amém.
Mas e não é que feliz com o Jornalismo fiquei! \o\\
Agradeço demais a ótima base, fiz amigos e arrisquei sem medo! Na verdade, acho que tudo é aprendizado. Você costuma fazer suas coisas na seqüência em que elas vão acontecendo, pega o ritmo, estabelece regras próprias para seu trabalho sair bom e, quando se dá conta, tudo flui.
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O sentimento voltou. Começar algo novo me faz pensar trocentas mil vezes:
- Conseguirei? Não é demais para mim? E se eu entrar em crise? E se meu cabelo começar a cair? E se eu tiver estafa? E se eu desenvolver uma fobia?
E no mesmo instante eu penso:
- É só falar que consegue, é só dizer que entendeu, é só dizer que nada captou, é só trabalhar com vontade e verdade.
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Povos, há tempos quero fazer uma tattoo linda. Sim, garanto a vocês que é... eu não tinha o desenho, mas já garantia a beleza da peça! *hohoho*
Há algum tempo, o desenho me escolheu. Poizé, historinha longa que um dia eu ainda contarei aqui, mas com os acontecimentos loucos da minha vida insana, os dias vão passando e nada de executar a tão hard tarefa.
Alguém aqui assiste a Miami Ink, no canal People + Arts? Eu a-d-o-r-o o programa e a cada episódio, a vontade transborda. Ô, a Marilyn lá em Miami, jamais prestará! :P
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Vou ali e volto já.
Miami? Not yet.
Naaah, vou é dizer que sei fazer, isto é, trabajar.

Domingo, Junho 17, 2007

*querido diário...*

Há tempos eu disse que a vida segue iniciando dias e antecipando noites; nos intervalos de todo esse ciclo, a gente atua incansavelmente, mas nem sempre leva a estatueta para casa.
O caminhar não tem acontecido em tapetes vermelhos, tem sido sem nenhum glamour, num ritmo maratona, sem faixa de chegada, já que não paro de correr, o que se transformou num Rally Paris Dakar sem pneus e circuitos.
Há tempos eu escrevi aqui. Perceba, os espaços têm ficado um tanto distantes, impossíveis até de aceno.
Porque se for para escrever, que seja certo, pois as linhas eu nem busco mais.
Há tempos eu estava triste, não que eu esteja dando pulinhos de júbilo neste exato momento, mas a gente percebe o problema, se chateia com ele, pensa até dar uma dor, acorda no dia seguinte sem solução, mas com a certeza que ele, o Tempo, aquele mesmo que se torna a razão de nossas reclamações, é o pacificador de mentes aflitas e de corações apertados. Ele cura.
Ass. Bridget, a Jones {Tupiniquim}

Sexta-feira, Junho 08, 2007

... vontade grande de chorar, mas a tristeza não encontra saída. Entalou. Faz-me doer a barriga e a cabeça, dor que anda, mas não encontra caminho e não me deixa achar lugar, eu que tanto caminho e tropeço no destino mal traçado. Enlatado dentro da panela de pressão.
Porque a vida da gente passa, virando a esquina se vai e se você não acompanhá-la, perde e não volta, não passa... assim como a dor que teima em doer bem aqui.
E por mais que você tente viver como acha que deveria ser, em determinada hora sente o insulto gratuito de uma realidade descabida, que não é sua, que não lhe cabe e que não se faz ouvir, apenas acontece sem controle.
Tenho duvidado de minhas mais longínquas crenças, tenho perdido a motivação, tenho esquecido de olhar para o céu, e quando olho, nada encontro; só porque eu queria ter aquela tranquilidade ali ó, esboçar aquele sorriso acolá e tudo com os olhos de uma criança descobrindo o que lhe faz bem.

Sábado, Junho 02, 2007

*A catarse da vez ou Meu mal é sono*

Porque tem dias em que tudo o que você faz ou se inclina a ________, dá errado.
O simples ato de levantar da cama, caminhar sonolenta até o banheiro, passando pela cozinha, pode representar um grande perigo para seus joelhos que ocasionalmente venham a falhar na descida da escada, para sua pijama branca e recém-saída do amaciante que poderá ser encharcada pelo copo de suco que derrama quando menos espera ou, ainda, o mais cruel, para seu dedão do pé que fica exposto a inimigos disfarçados de mobília e sujeito a, quiçá, ter a unha subtraída, dependendo do grau do impacto que jamais será no puf ou na almofada, acredite.
Porque não é novidade alguma que Murphy muito me ama e repete que me quer enquanto eu pratico a técnica milenar da indiferença, a mesma que nem sempre corresponde aquele pedido feito aos céus.
Aí você:
* Depois de preparar toda a roupa na máquina de lavar, suspeita que ela decidiu não operar os seus devidos comandos;
* Chega em casa no auge do cansaço, liga o chuveiro para desfrutar de todo o vapor que ele permite {porque sem escrever no espelho embaçado não é banho}, e o infame queima quando seu cabelo precisa ser enxaguado, precisando desfazer o moicano na água fria;
* Ainda cansada, perde a hora, acorda e imagina que vive o pesadelo dos *dez minutos*: lanche, banho, maquiagem, roupa, bolsa, tudo em dez minutos;
* Está estupidamente atrasada, quase que completamente pronta, mas jamais encontra o outro par da sandália marrom naquele mundaréu de calçados... pretos.
* Volta para casa num metrô repleto de crianças de 7 a 8 anos que se empolgam a cada vez que o trem sai do túnel, gritando efusivamente. Até aí, tudo bem, eu sorria das carinhas de surpresa que eles faziam; quando, de-repente-não-mais-do-que-de-repente, surge uma criatura que era a cruza de David Bowie com Medusa, roupa de Indiana Jones, cabelos verdes e voz tenebrosa. Era o animador da criançada.
E *Meo Deos*, eu quase dei o meu grito de horror, mas quando vi uma senhora muito mais assustada do que eu, preferi respirar fundo e poupar-me de todo o lúdico mico.
Oh yeah, *beibe*, depois de trabalhar tal qual a burrinha, por toda uma semana interminável, passei a 6afeira embebida num sono imoral.
Já é sábado é?