Se o terapeuta que eu tanto evito – por teimosia – perguntar quando tudo isso começou, serei enfática:- Desde criancinha, doutor.
Provavelmente desde o momento em que dei o ar da graça neste mundo; quando eu nasci, não devo ter levado um simples tapa para abrir o berreiro e mostrar que tinha ótimos pulmões, orgulhando toda a equipe envolvida no parto; acredito que o médico descontou em meu traseiro a hora-extra da cesariana, o almoço frio e sem sal do refeitório ou a noite anterior mal dormida. Bateu com gosto e as palmadas doem até hoje porque jamais existiu pessoa mais chorona do que eu, fazendo uso desnecessário da hipérbole, porque é tudo verdade, acredite.
Lembro de quase desidratar ao assistir ET, o Extra-Terrestre. Da cestinha da bicicleta, seguindo para a despedida e a partida do pequenino para seu "planeta" de origem... imagens que me fazem marejar os olhos até hoje. Vergonhosamente. Mas não fico só no quesito 'filmes', ou seria tudo muito normal. Choro com desenho animado, discursos das mais variadas premiações, reality shows no estilo Extreme Makeover, cerimônias diversas, tais como casamentos e formaturas, quando vejo alguém muito feliz que acabara de conseguir realizar um desejo, quando vejo alguém muito triste por ter fracassado, mesmo sabendo que poderá recomeçar, músicas {boas, claro} e por ser uma tremenda bobona mesmo.
Já chorei...
... no ônibus que peguei sem olhar para onde iria e que seguia para qualquer lugar que não fosse o anterior;
... na sala de aula, perdendo o mais importante da matéria;
... no trabalho, pela obrigação de estar onde menos precisavam de mim e onde eu mais detestava;
... ao escolher roupa no shopping sem ter minha mãe ao lado para dar a opinião certa;
... dirigindo, ligada no automático, pensando no que poderia ter dito ao ouvir uma porrada de idiotices;
... ao encontrar e despedir, que se resumem em um choro que só quem chora é que sabe o que sente, seja com a chegada ou com a partida.
... na madrugada, quando teimo em resumir que amanhã estarei melhor.
E a facilidade também está nos sorrisos. Tenho a incrível e modesta capacidade das estrelas hollywoodianas que acabam de receber a estatueta e que choram gargalhando de sua própria sorte.
Resumindo, estou feliz, mas um pouco triste porque *uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa*.
Clichêzão, mas *a vida é bela e ganhou o Oscar*.




