::gil elvgren::

Sexta-feira, Março 21, 2008

* Life is bigger / It's bigger than you / And you are not me... *
'Losing my religion', R.E.M.

Estou com dois ou três livros estacionados em ordem de preferência; ansiosos e sedentos por compartilhar comigo suas estórias maravilhosas, fazer-me ativar o cérebro com um pouco mais de fantasia, deixando de lado essa realidade chata e burocrática. Nem rótulo de shampoo eu tenho acompanhado ultimamente. O que dizer então da caixa de cereais, uma de minhas leituras favoritas. Não tenho mais tempo de ser cult pela manhã como um dia fui e isso tem refletido na minha alimentação, composta por vários copos de água e um almoço ruim no restaurante de cardápio duvidoso, localizado no prédio onde trabalho mais do que a burrinha.
Para a minha sorte existem fones de ouvidos generosos que transmitem somente os sons que escolhi, excluindo os barulhos urbanos ao redor e fazendo-me parecer uma louca enquanto transito entre carros e motos, cantando sem medo de ser feliz, temendo somente pela demora maior no engarrafamento diário e pelo retrovisor exposto aos perigos velozes da grande cidade.
Uma das grandes frases do momento, eleita por mim mesma, em votação secreta e unânime diz que "não se pode ter tudo na vida".
Parou para refletir entre casar ou comprar uma bicicleta? Entre ser legal e descolado ou calar-se para não ofender? É... na dúvida, que reine a indiferença, como dia desses li num resumo correspondente ao meu signo, que anda com a reputação abalada porque não consegue ser gentil e rude ao mesmo tempo com alguns poucos astros do Zodíaco que teimam em ser antipáticos por toda a eternidade.
Ah, a magia do horóscopo!
Quer saber? Minha verdade não é maior, menor, melhor ou pior do que a sua, ela é simplesmente minha e não tem a necessidade/direito de afetar o universo de ninguém, muito menos a rotina. Acredito que isso seja ter personalidade. Basear-se em signos, ascendentes, luas e eteceteras para justificar gentilezas, sorrisos, grosserias e falta de educação é imaturidade de quem nunca levou um *não* em sua existência iluminada, única, tolerável e ficou sem saber como lidar com o mundo real quando reprimido. Quer moleza? Senta no pudim, mané!
"O mundo não gira só porque você existe", isso eu aprendi cedo. Não somos donos nem de nossas verdades, principalmente quando não temos conhecimentos de outras. O respeito vem antes, acima de tudo, independentemente. E ponto.

Mas para constar... eis o signo de Escorpião, aquele que "acha" que me me conhece e que tem Plutão, planeta rebaixado à asteróide, como regente:

"Não se deixe levar pelo preconceito. Se você cruzar com um tipo honesto, corajoso, íntegro, intenso, magnético, profundo, reservado, perspicaz, enigmático e fiel até que a morte os separe, corra e agarre esta oportunidade, porque você terá topado com um escorpionino. Seu astrólogo diz que os escorpiões são traiçoeiros? Mude de astrólogo, porque o escorpião tem um senso de lealdade só comparável ao de um mafioso siciliano - se você mantiver sua palavra, ele manterá a dele até debaixo de uma saraivada de balas. Sua melhor amiga diz que os escorpiões são don-juans incuráveis? Troque de amiga, porque o escorpião, embora tremendamente ligado ao sexo, é tão seletivo que prefere uma vida monástica a transar com qualquer um. Você andou lendo que o escorpião é um dissimulado? Largue esse livro pelo último de Agatha Christie, pois a notória reserva escorpionina não tem nada a ver com hipocrisia.
Um escorpião nunca mente, só omite - e na maior parte das vezes está repleto de razões, porque sua fabulosa antena psíquica pescou que o interlocutor em questão não é lá muito confiável. Esta, talvez, seja a principal característica deste signo cujo mito mais esclarecedor é o de Lúcifer, o anjo decaído, não por noitadas em excesso, mas por uma lucidez além dos limites: o grande pecado do escorpião, como o do ex-anjo, é um orgulho excessivo. Excessivo, mas não descabido. O probleminha de Lúcifer era que enxergava certas razões ocultas por trás da cantoria dos querubins - um desejozinho secreto de promoção naquele arcanjo que emitia uma nota mais aguda. Por isso ele acabou expulso do Paraíso, onde críticas não são facilmente digeridas. A mesma complicada sina ocorre com os terrenos escorpioninos: como eles são providos de uma espécie de olhar de raio X, que detecta as piores intenções até nos melhores sorrisos, acabam se tornando ossos duros de roer.
Um escorpionino tem um faro imcomparável para imposturas, o que lhe torna difícil a vida em sociedade. Isto o transforma, muitas vezes, num introspectivo de cenho franzido: sua capacidade de captar algo de podre no reino da Dinamarca não tem paralelo, em todo zodíaco e em qualquer estatística. Mas se o escorpião saca tudo, inclusive o pior de cada um, é porque tem uma sensibilidade que chega às raias do insuportável. O que o torna, também, muito solidário com o sofrimento alheio - nada de estranhar que Ghandi tenha ascendente em escorpião. Um escorpião nunca foge de problemas. Não fuja dele, portanto, a não ser que você queira passar o resto da vida bocejando entediado
".

Fonte:
Textos de Marília Pacheco Fiorillo e Marylou Simonsen, publicados no livro Use e Abuse do seu Signo, editado pela LP&M.
http://www.terra.com.br/esoterico/

Quarta-feira, Março 05, 2008

Porque confundir pessoas no meio de uma multidão é completamente aceitável, mas quando se chega a ponto de pedir informação para um manequim de loja de departamento... ah, a vida precisa de um rumo porque o grau da miopia aumentou.
Dia desses senti uma saudade enorme de mim mesma. Não que eu tenha perdido a doçura eterna dos 15 anos ou que tenha deixado de lado os questionamentos intermináveis dos 18 bem vividos, mas depois de confundir um boneco impecavelmente bem vestido, pensando ser um funcionário pronto a me ajudar na busca pela blusa perfeita, percebi que não tenho reconhecido as pessoas em seu estado mais bruto: ser humano.
Vamos à lousa.
Antes eu acreditava nas afirmações que me eram ditas, concordava com o tema abordado, perdoava as mancadas, ouvia pacientemente queixas, justificativas e sermões, cumprindo o que bem manda a lei da fraternidade. Mas ultimamente meu esforço em acreditar na paz mundial e na diplomacia entre os povos não tem acompanhado o desejo insano de nenhuma miss universo.
Porque enquanto eu esperava o coitado do manequim responder minha dúvida, concluí o quanto as pessoas perdem sua naturalidade tentando suprir egos e carências com atitudes bobas e vazias. Logo na seqüência, percebi que havia trocado uma idéia-muito-cuca-no-lance com um objeto de plástico, trajando camisa pólo e uma peruca meio torta. Disfarcei o mico com total elegância, achei a blusa perfeita e resolvi não puxar papo com mais ninguém, ou daqui a pouco estaria falando sobre física quântica com Ronald, o McDonald.
O ruim desse sentimento auto-anti-nostálgico é perceber que para se "ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar", é necessário estar disponível nos seguintes quesitos: interesses e conveniências. Enquanto você compartilha idéias e ideais, o planeta Terra é o melhor lugar para se viver, o azul do céu é mais azul e seus amigos são as melhores pessoas da superfície terrestre.
- Errou. Buzina pra você. Muito alta. É óbvio que isso não acontece, tolinho.
Porque muito se resume no quesito não citado anteriormente, mas de suma importância: 'troca de favores'. Você foi bacana, mas agora é descartável, mesmo que ainda não tenha percebido. Com isso, descontarei meu mau humor, frustração e imaturidade em você, não desejarei que você tenha um bom dia, responderei com ironia de botequim, sairei sem dar tchau, não atenderei sua ligação e, caso alguém atenda por mim, pedirei que fale o miserável "diz que eu saí", quando do outro lado da linha tudo se escuta. Mas daí, farei igual ceninha de novela: espero uns minutos e ligo de volta, dizendo que estava tudo bem e perguntando como foi o seu final de semana...
Muito previsível e auto-explicativo. Mas cair no erro de se tornar mais um deles é a pior falha.
Por isso é que nas minhas observações diárias, aprendo com experiências alheias e próprias, colocando em prática da minha forma... o velho clichê do "não faça aos outros o que não gostaria que fizessem contigo". Poizé, porque até com manequim de loja eu sou educada, porque não seria comigo mesma?!
Sou uma lady e ativei a tecla f*da-se. Queremos por perto quem nos faz bem.
E tenho dito.