::gil elvgren::

Sábado, Abril 26, 2008

"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche"
Martha Medeiros
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... dez meses sem a presença física de mamis...
E mesmo que eu tenha a certeza de que minha mãe está onde sempre imaginei, ao lado de pessoas tão especiais quanto ela, o conforto é lembrar de seu sorriso, de nossas conversas, de seus conselhos, de sua companhia e zelo. Por um instante, pensei ter perdido minha melhor amiga, mas hoje sei que ela é um anjo eterno em minha vida.
Dez meses, dez dias, dez minutos de sua passagem deste plano para outro muito mais elevado e parece que pouco mudou quando percebemos a ausência física... e mesmo que eu venha a chorar porque a saudade ultrapassa qualquer compreensão, tenho a certeza de paz e de que sua presença será eterna em nossas vidas.
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Inevitavelmente, acompanhando o caso da pequena Isabella, identifiquei-me com o texto que sua mãe, Ana Carolina, homenageou a filha em seu perfil no Orkut.
São dores distintas, sabemos, mas dor não se mede e desemboca num mesmo sentimento de tristeza, saudade e conforto.
Relembrando as palavras que muito me emocionaram, gostaria de expressar o sentimento de filha... para a mãe que tanto amo:

"A morte não é tudo. Não é o final. Eu apenas passei para a sala seguinte. Nada aconteceu. Tudo permanece exatamente como foi. Eu sou eu, você é você, e a antiga vida que vivemos tão maravilhosamente juntos permanece intocada, imutável. O que quer que tenhamos sido um para o outro, ainda somos. Chame-me pelo antigo apelido familiar. Fale de mim da maneira que sempre fez. Não mude o tom. Não use nenhum ar solene ou de dor. Ria como sempre fizemos das piadas que desfrutamos juntos. Brinque, sorria, pense em mim, reze por mim. Deixe que o meu nome seja uma palavra comum em casa, como foi. Faça com que seja falado sem esforço, sem fantasma ou sombra. A vida continua a ter o significado que sempre teve. Existe uma continuidade absoluta e inquebrável. O que é esta morte senão um acidente desprezível? Porque ficarei esquecido se estiver fora do alcance da visão? Estou simplesmente à sua espera, como num intervalo, bem próximo, na outra esquina. Está tudo bem!"
Texto de Rosamunde Pilcher, em "Catadores de Conchas"
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Te amamos, Natércia, minha mãe eterna.


"... você é a mãe que eu escolheria todas as vezes que tivesse esta chance e eu, a filha eleita do seu coração... seja lá em que ordem isto aconteça."


Segunda-feira, Abril 21, 2008

Ano de poucos feriados. Bleargh. Está lá no calendário, pode olhar. Este é um dos meus primeiros cacoetes ao receber o famoso bloco de meses encadernado: sair em busca dos dias vazios para preenchê-los ao meu bel prazer. Tudo bem, tudo bem, poderia ser pior, eu poderia fazer parte da classe trabalhadora centralizada no Japão onde jamaaaais há uma folga sequer... mas como é de lei: não se pode ter tudo na vida: eles trabalham tanto quanto lucram... Merecido, merecido. Ops, não que eu não trabalhe em demasia, mas ganhar bem que é bom, nada, samurai.
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E este feriado, particularmente, passou assim, de-repente-não-mais-que-de-repente. Talvez porque eu tenha me ocupado com outras atividades, coisas diferentes daquelas todas que povoam o mundo de Marilyn, a atriz da vida real.
E já que falei em Japão, lembrei que um dos veículos mais utilizados pela população do sol nascente é a bicicleta. Adquiri a minha {caloi} após uma grande pesquisa de preços, cores e frufrus.
Vamos combinar que academia é um lugar interessante, você sofre coletivamente por aquela barriga que um dia terá {ou não}... Mas andar de bicicleta pelas ciclovias da cidade atrai mais minha atenção: faço meu trajeto, escuto minha música e sinto o cabelo voar, sensação completa de liberdade, born to be wiiiiild.
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E lá vem mais um da série ‘queremos por perto quem nos faz bem’. Não que eu tenha o gene Maria do Bairro, traída pelo destino e cúmplice de histórias surreais. Não que eu vá morar em alguma caverna, longe da civilização para, trocentos anos depois, conceder entrevista ao Discovery Channel explicando que me ausentei do mundo por não mais acreditar no homo sapiens... Ah, não, isso realmente não me apetece, mas o que observei nestes dias de *meodeos* é que a máxima do ‘amigo é amigo; filho da p* é filho da p*’ tem vencido em larga vantagem.
Não adianta refletir filosoficamente {chaaaato}: a vida é feita de conveniências mesmo. E quando carona, companhia e interesses já não são mais necessários, as pessoas costumam agir de um jeito... como dizer... pouco expressivo.
Faz-me rir. Mas muuuuuuito.
E eu que não possuo o santo hábito de mendigar atenção, acabo optando pelo f*da-se mode on e continuo a vida. Ora, se não quer manter contato com um terrestre específico, se o transporte urbano supre suas necessidades, se os amigos novos são mais legais, se o corte de cabelo valorizou o rosto, se a cotação do dólar caiu? Bacaaaaaaaana, aproveita aí, champion... mas quando enjoar de tudo isso e procurar reaproximação, acostume-se à nova realidade porque costumo praticar o desapego ltda.
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E nesta segunda que virou domingo, o consolo é saber que estou cheia de projetos, vontades e coragens para {re}começar.
Yep.

Terça-feira, Abril 15, 2008

Os três livros continuam estacionados na estante. Minto, agora são dois e meio, o que até conforta essa minha consciência literária inquieta e em desalinho.
Mas além dos livros {e meio}, esperam pacientemente, filmes, seriados, CD’s e emails... caso eu venha a desconsiderar os afazeres domésticos rotineiros.
O dia – em seu quadrante de X a Y, de Norte a Sul – não me é suficiente em suas escassas vinte e quatro horas. Talvez seja cansaço de coisas, lugares e pessoas ltda.
Argh, preciso de uns dias de glamour e luxúria.
Mas partindo do ponto *boa noite, boa sorte*, admito que meu mal é sono mesmo. Para constar, há passagens que merecem observações, como, por exemplo, eu sonhar que estava em trabalho de parto!! E seguindo o instinto decifrador de sonhos *polishop*, certos dias têm sido praticamente assim: parindo um filho na Namíbia, de cócoras, sem Brad Pitt... ou pior, com Tom Cruise. Medo. Mais ainda se ele levar Katie, a Holmes, daí eu procurarei abrigo em Capeside {quem assiste seriados, lembrará onde fica!}.
Tenho andado ligada no automático e até descobri que caminhar no shopping libera mais endorfina do que entrar em luta com aparelhos aeróbicos. Ah, eu precisava ouvir barulhos diferentes do que telefone tocando, buzinas e palavras de motivação para mais uma série de exercícios... e depois de caminhar corredores entupidos de compradores, desviar de plantas artificiais e dos preços nas vitrines, eu estava pronta para começar o dia. Uma atleta, praticamente... da vida real.
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Já é sábado?

Sexta-feira, Abril 04, 2008

Não tenho muito do que reclamar: minha música tocou quando eu mais queria ouvir, saboreei sushis e derivados quando tive vontade de comer {e nem era fome}, tive a companhia de John Cusack no final de semana, recebi visita de amigos queridos, notícias boas, sorrisos e suspiro de alívio.
O que me falta mesmo é tirar a roupa do varal, organizar a gaveta, separar o que não serve mais e começar tudo-tudo de novo.
Ah, entenda que *roupa* não quer dizer necessariamente *peças expostas ao sol para secar*.
São mudanças, daquelas muitas, que foram, que vão e que vêm.