::gil elvgren::

Quinta-feira, Junho 26, 2008

" ... Em suas preces nunca esqueça de dizer: Vá adiante, amor, aqui ficaremos bem... e quando Deus assim quiser, nós nos veremos... "


Sei que é só mais um dia, mas a medida que a data veio se aproximando, todo aquele sentimento de vazio me preencheu novamente...
Há um ano atrás, minha mãe querida partia deste mundo... fez sua passagem logo após ouvir um Salmo... deixou cair uma lágrima e seguiu...
Desde aquela tarde em que ela se foi, meus dias perderam muito de sua cor. Quando eu nada mais poderia fazer, lembro de ter encostado numa parede e fiquei olhando para o céu que se transformava em noite, sem cores... perguntando onde ela poderia estar.
Perdi minha mãe, minha melhor amiga... minha companheira... por quem eu daria a minha vida. Até hoje ainda sinto o cheirinho dela pela casa. E nas vezes em que a saudade dói a alma, procuro aconchego em sua força e coragem.
Uma vez minha mãe me viu chorando... apesar de eu tanto evitar... ela percebeu o quanto eu estava preocupada e disse que estava bem, que aquilo passaria, que eu era uma boba por estar chorando tanto... Depois de tudo o que vivemos - tristezas, perdas e decepções -, percebi quão forte minha mãe foi naquele momento, enfrentando medos, verdades, lágrimas... por mim.
Eu sempre guardo a lembrança de seu sorriso, de suas mãos que são tão minhas, de seu cabelo que eu gostava de mexer... ela me chamava de *passarinho* e eu sorria... minha vontade maior é de lhe dar um abraço, outro abraço eterno, agradecer por todo o amor e dedicação, mas preciso deixá-la seguir por onde não consigo enxergar.
Minha mãe sempre foi muito amada... acredito que não imaginava o quanto {apesar de eu repetir isso à ela}, mas de onde estiver, sei que tem a certeza de nosso amor a cada dia, a cada mês e neste ano que se completa.
Saudade eterna... quantas vidas eu tiver...



" Se me amas, não chores!
Se conhecesses o mistério imenso do céu onde agora vivo, este horizonte sem fim, esta luz que tudo reveste e penetra, não chorarias... se me amas!
Estou absorvido no encanto de Deus, na Sua infindável beleza. Permanece em mim o teu amor, uma enorme ternura que nem tu consegues imaginar. Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo, pensa nesta casa onde um dia estaremos reunidos para além da morte, matando a sede na fonte inesgotável da alegria e do amor infinito.
Não chores se verdadeiramente me amas! "
Santo Agostinho


Natércia, um ano.

Segunda-feira, Junho 16, 2008

"Respira aliviada mãe de quatro meninos, nascidos de parto normal, na última sexta-feira, 13".

Não, essa não foi matéria de capa da revista que emana conhecimento ou mesmo chamada de programa televisivo de canal aberto, com depoimento ao vivo, direto da maternidade.
A feliz genitora, que não mais precisará respirar ofegante após as contrações, sou eu.
{...}
Nããão, não fique aí com esses olhos marejados de emoção, eu não trouxe ao mundo quatro pimpolhos de bochechas rosadas, eu não perpetuei ao quadrado² a espécie e não carreguei os pequeninos por longos nove meses neste bucho aqui.
O que mais parece uma história de ternura e amor, estava mais para um conto de Stephen King: extração dos quatro sisos em plena sexta-feira 13.
E para dar mais "vida" ao momento, horas antes de ir ao consultório dentário, recebi telefonema da bibliotecária: o tal volume do 'mestre do terror' que eu havia reservado na biblioteca, chegara.
{...}
Beleza de tarde, após trocentas anestesias nesta gengiva que é só minha, começou o puxa-repuxa dos terceiros-molares. De um lado do ringue, a cirurgiã-dentista repetindo que eu não sentiria dor alguma, somente teria uma sensação diferente; do outro lado do ringue, caracterizada de Zilu {a Camargo}, eu tentava dizer à dentista para anestesiar mais porque eu não queria ter sensação alguma. E foi feita a minha vontade... Passado uns quinze minutos observando a cirurgiã se debatendo contra a luz que me cegava, escuto um sonoro *nasceeeeu!*, era o primeiro siso. E assim seguiu-se por quarenta minutos, a cada dente extraído, uma comemoração tamanha... da minha parte também, claro, a maior interessada. Com a boca cheia de gaze, mas com um sorriso imaginário aberto.
Pontinhos básicos, recomendações clínicas, elogios diante de minha performance guerreira e perguntas bobas que eu escrevia num papel... já que língua não existia de tão dormente, estou definitivamente sem juízo, ha-ha!
À noite, após todo o processo cirúrgico, enquanto eu segurava bolsas de gelo contra a face, mudei de canal e lá estava uma das obras do mestre Stephen passando em uma emissora de filmes clássicos.
The End!
{...}
Para quem sofre com dores no maxilar e ainda não se "animou", admito que durante a cirurgia, o único incômodo é a pressão contra seu indefeso dente. No meu caso, um dia depois, tive poucas dores & muitos enjôos ltda. Mas acredito que esteja dentro do processo, já que a medicação é deveras ampla.
E se você quer emagrecer, a hora é agora, extraia os sisos! A base de muita sopa, sorvete e de um rosto totalmente dormente, você atingirá sua meta.
Tô quase lá... sonhando com um paillard acompanhado por fritas e salada.

Domingo, Junho 08, 2008

*da série: coisas que só acontecem comigo*
Comecei a jornada tentando entregar um livro na Biblioteca instalada no prédio em que trabalho. Coisa simples. Um Stephen King, volume II. Como ainda não li o I, decidi devolver porque havia lista de espera. Na portaria, fui orientada a adentrar o recinto e caminhar o looongo corredor atééé o final. E assim o fiz, mas ninguém aparecia para eu fazer a entrega. Foi quando me deparei com um coro, seguido por palmas descompassadas e felizes:
Paaa-ra-béééns pra vo-cê, nesta daaaaata que-ri-da, muitas feeeelicidades, muitos aaanos de viiiiiiiiiii-da!
E no ápice da emoção, eu nem havia reparado que cheguei bem na hora da festinha surpresa para um dos funcionários do setor. Fazer o quê além de cantar junto e desejar um feliz aniversário para o moço?
Claro, entregar o Stephen King, desconsiderando qualquer tentativa de buscar o I.
.
Continuei a busca por roupas perfeitas. Difícil, já que tudo que gosto não sai por menos de três dígitos. Shopping, *sabecomoé*, defeitos perceptíveis, tem que caminhar, desviar e abstrair. Passando por uma das várias lojas de departamento, gostei da saia que não tinha preço, decidi levar a calça também. No caixa, a moça com cara de caneca registrou os itens, eu paguei e sensação de dever cumprido. Mas por todas as saídas que passei, o alarme disparou. Ah, comigo não era, estava tudo pago e comprovado. Caminhei desenvolta, nenhum segurança abordou ninguém. Em casa, comentei o estranho fato da noite mas, quando abri a sacola, lá estava o alarme preso à saia... A moça com cara de toupeira esqueceu de tirá-lo. Só castrando. Dias depois, retornei à loja {que eu não vou dizer o nome, mas que se chama C&A} e entrei na fila para tirarem aquela bolacha de plástico da minha vestimenta. Foi quando reparei que a mesma moça com cara de lhama atendia. Caos. E qual não foi minha surpresa ao ouvir a cliente da vez reclamar: por muito pouco, a criatura do pântano não esquece outro alarme no sobretudo vendido há meio-minuto! Aiaiai. O que fazer? Comprar na concorrência? Experimentar trocentas peças e não levar nenhuma? Desarrumar os suéteres que ficam em destaque?
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Porque a dentista tentou fazer com que a extração dos sisos parecesse simples e eu ainda não acreditei, por isso tanto adiei. Mas as dores originárias dos dentes desnecessários estão me incomodando muito mais. Pescoço, ombros, ouvidos e cabeça. E no auge do incômodo, marquei uma consulta e, em breve, darei meu grito de liberdade desdentada. Mas antes disso, nada como uma medicação na veia para aliviar e... e deixar um verde-roxo-degradê em meu braço... ah, isso não foi legal, não mesmo. A infame da enfermeira deveria ser surda quando comentei que minhas veias são transparentes ou se sentiu desafiada a buscá-las... De acordo com a açougueira, digo, samaritana, em quatro anos de profissão, ela jamais tinha se deparado com veias tão finas e escondidas... Ótimo, senti-me a nova descoberta da ciência e ainda ouvi:
- Mas, olha só, uma mulher desse tamanho usando agulha para criança?! Ooowww. Você não fica com vergonha?!, perguntou ela, querendo ser engraçada e distrair meu incômodo. E eu, do alto de minha inesgotável sinceridade, respondi:
- Não, não sinto vergonha, sinto dor!
Ó, vida, além de causar um pequeno frisson na emergência do PS, *moléstia* à parte, agora estou com uma marca enorme no braço que reluz diferentes cores a cada manhã.
Diva.
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Trabalhar é preciso! \o\\
Mas no sábado também?
- Sim!
Sem mais para o momento.