E de-repente-não-mais-que-de-repente, descobri que faço parte do elenco de uma série televisiva de sucesso. The Office. Jamais avisaram.
- That’s so wrong, Hollywood.
Sou um dos personagens que aparecem nas fotos promocionais, capas de DVD, piadas infames e que tira conclusões quando os créditos sobem a tela, mas nunca estou lá. Cláusulas de contrato, babe.
Foi assim: eu estava assistindo a série despretensiosamente no sofá de casa, quando fui arremessada em retrocesso aos ambientes de trabalho pelos quais passei e por aqueles indivíduos caricatos que por mim passaram, neste momento, eu gritei *bingo*, entraram os intervalos e eu abracei a almofada em desespero.
- Am I on TV tonight?
Outra revelação foi feita hoje enquanto eu, corajosamente, assumi uma pilha de papel, grampeando pares de folhas até contabilizar uma quantidade irritantemente elevada a x. Odeio rotina. Odeio serviços repetitivos. Odeio mais ainda objetos que fingem otimizar o seu dia. E daqueles que dão pitaco fora de hora, eu odeio só um pooouco mais.
E pensar que para enfrentar um dia de incríveis aventuras previsíveis, eu me joguei à sorte de um vagão entupido de trabalhadores tão atores da vida real quanto eu mesma, passando quase uma hora sem conseguir mexer nenhum músculo, levantar a alça da bolsa que caiu do ombro, empurrar o cabelo que caiu no olho ou desviar da tosse do passageiro ao lado. Pior, muito pior quando ele arrota e finge que o Brasil é nosso. Ai, minha-nossa-senhora-do-transporte-urbano, e eu pago para passar por tudo isso.
Hoje não foi um dia bom, d-e-f-i-n-i-t-e-l-y. Esqueci de levar meu hidratante na bolsa e passei o dia tal qual um lagarto neste clima de deserto que Brasília oferece. O molho de mostarda + mel da minha salada tinha muito mais doce do que refrão de música romântica de rádio popular. A hora resolveu parar quando o relógio mostrou 15h27. O metrô teve seu pior momento na volta pra casa, com direito a paradas no meio do nada, cotovelo alheio em minha costela e curioso olhando minha tatuagem, olhando pra mim (repetidas vezes até eu mesma olhar a tatuagem e olhar pra ele). Pedi seis pães, a moça da padaria confirmou a quantidade e quando cheguei em casa, a infame havia colocado cinco. Fui fechada por um carro na contramão. Quebrei a unha do dedo indicador. Amanhã começa tudo-tudo de novo.
Terei um colapso nervoso?
Não, mas quando é sábado mesmo, hein?
"That’s what she said".
- That’s so wrong, Hollywood.
Sou um dos personagens que aparecem nas fotos promocionais, capas de DVD, piadas infames e que tira conclusões quando os créditos sobem a tela, mas nunca estou lá. Cláusulas de contrato, babe.
Foi assim: eu estava assistindo a série despretensiosamente no sofá de casa, quando fui arremessada em retrocesso aos ambientes de trabalho pelos quais passei e por aqueles indivíduos caricatos que por mim passaram, neste momento, eu gritei *bingo*, entraram os intervalos e eu abracei a almofada em desespero.
- Am I on TV tonight?
Outra revelação foi feita hoje enquanto eu, corajosamente, assumi uma pilha de papel, grampeando pares de folhas até contabilizar uma quantidade irritantemente elevada a x. Odeio rotina. Odeio serviços repetitivos. Odeio mais ainda objetos que fingem otimizar o seu dia. E daqueles que dão pitaco fora de hora, eu odeio só um pooouco mais.
E pensar que para enfrentar um dia de incríveis aventuras previsíveis, eu me joguei à sorte de um vagão entupido de trabalhadores tão atores da vida real quanto eu mesma, passando quase uma hora sem conseguir mexer nenhum músculo, levantar a alça da bolsa que caiu do ombro, empurrar o cabelo que caiu no olho ou desviar da tosse do passageiro ao lado. Pior, muito pior quando ele arrota e finge que o Brasil é nosso. Ai, minha-nossa-senhora-do-transporte-urbano, e eu pago para passar por tudo isso.
Hoje não foi um dia bom, d-e-f-i-n-i-t-e-l-y. Esqueci de levar meu hidratante na bolsa e passei o dia tal qual um lagarto neste clima de deserto que Brasília oferece. O molho de mostarda + mel da minha salada tinha muito mais doce do que refrão de música romântica de rádio popular. A hora resolveu parar quando o relógio mostrou 15h27. O metrô teve seu pior momento na volta pra casa, com direito a paradas no meio do nada, cotovelo alheio em minha costela e curioso olhando minha tatuagem, olhando pra mim (repetidas vezes até eu mesma olhar a tatuagem e olhar pra ele). Pedi seis pães, a moça da padaria confirmou a quantidade e quando cheguei em casa, a infame havia colocado cinco. Fui fechada por um carro na contramão. Quebrei a unha do dedo indicador. Amanhã começa tudo-tudo de novo.
Terei um colapso nervoso?
Não, mas quando é sábado mesmo, hein?
"That’s what she said".






