::gil elvgren::

Segunda-feira, Julho 28, 2008

E de-repente-não-mais-que-de-repente, descobri que faço parte do elenco de uma série televisiva de sucesso. The Office. Jamais avisaram.
- That’s so wrong, Hollywood.
Sou um dos personagens que aparecem nas fotos promocionais, capas de DVD, piadas infames e que tira conclusões quando os créditos sobem a tela, mas nunca estou lá. Cláusulas de contrato, babe.
Foi assim: eu estava assistindo a série despretensiosamente no sofá de casa, quando fui arremessada em retrocesso aos ambientes de trabalho pelos quais passei e por aqueles indivíduos caricatos que por mim passaram, neste momento, eu gritei *bingo*, entraram os intervalos e eu abracei a almofada em desespero.
- Am I on TV tonight?
Outra revelação foi feita hoje enquanto eu, corajosamente, assumi uma pilha de papel, grampeando pares de folhas até contabilizar uma quantidade irritantemente elevada a x. Odeio rotina. Odeio serviços repetitivos. Odeio mais ainda objetos que fingem otimizar o seu dia. E daqueles que dão pitaco fora de hora, eu odeio só um pooouco mais.
E pensar que para enfrentar um dia de incríveis aventuras previsíveis, eu me joguei à sorte de um vagão entupido de trabalhadores tão atores da vida real quanto eu mesma, passando quase uma hora sem conseguir mexer nenhum músculo, levantar a alça da bolsa que caiu do ombro, empurrar o cabelo que caiu no olho ou desviar da tosse do passageiro ao lado. Pior, muito pior quando ele arrota e finge que o Brasil é nosso. Ai, minha-nossa-senhora-do-transporte-urbano, e eu pago para passar por tudo isso.
Hoje não foi um dia bom, d-e-f-i-n-i-t-e-l-y. Esqueci de levar meu hidratante na bolsa e passei o dia tal qual um lagarto neste clima de deserto que Brasília oferece. O molho de mostarda + mel da minha salada tinha muito mais doce do que refrão de música romântica de rádio popular. A hora resolveu parar quando o relógio mostrou 15h27. O metrô teve seu pior momento na volta pra casa, com direito a paradas no meio do nada, cotovelo alheio em minha costela e curioso olhando minha tatuagem, olhando pra mim (repetidas vezes até eu mesma olhar a tatuagem e olhar pra ele). Pedi seis pães, a moça da padaria confirmou a quantidade e quando cheguei em casa, a infame havia colocado cinco. Fui fechada por um carro na contramão. Quebrei a unha do dedo indicador. Amanhã começa tudo-tudo de novo.
Terei um colapso nervoso?
Não, mas quando é sábado mesmo, hein?
"That’s what she said".

Terça-feira, Julho 15, 2008

Berenice, segura, acode e agasalha.

Acordar é relativamente fácil... ok, graças ao vizinho que parece ter sido treinado para cumprir essa missão de abrangência céu-terra-mar e que a exerce com amor à pátria, fica muuuito fácil acordar... perdendo a dignidade e xingando até sua 20ª geração, isso sim. Mãããs, erguer-me da cama quente e acolhedora, num friodapohha* desses é uma afronta a qualquer bípede assalariado.
Porque eu tenho uma visão {meio embaçada} à frente de meu tempo: começo a vislumbrar as adversidades de uma manhã vivida abaixo de 10° graus. Tarefas simples que se tornam ameaçadoras: sim, a probabilidade de eu ter perdido a meia na madrugada se faz gradativamente alcançável e, enquanto zumbi descalça que estarei, a possibilidade do leve tocar de pés no chão gélido atinge os 83%. F*ckin' frozen Murphy low profile addicted.
E já que tudo envolve água pela manhã - dentes limpos, corpo purificado e retinas asseadas – temos duas escolhas: ou acordar mais tarde, prometendo a si mesmo enquanto sujeito polar, comportar-se tal qual Rocky Balboa nos treinos matinais para não se atrasar na travessia rumo à labuta ooooooou acordar mais cedo, enfrentando mais frio e menos disposição, sempre calculando como gastará o tempo extra na tentativa vaga de enfrentar a tortura chinesa, samurai.
Nem mesmo o calor artificial do carro ou o arrocha natural do metrô são capazes de desviar as rajadas de ventos congelantes. Uma das certezas: lá fora o frio estará e nós precisamos detê-lo. Seja com leite quente, chazinho borbulhante ou cafezinho da hora, nós venceremos. Tragam seus cobertores, lençóis, mantas, edredons, fraldas velhas. E avante.

Sábado, Julho 05, 2008

Das coisas que eu gosto ou Das coisas que não fazem sentido, mas eu gosto mesmo assim:

... Acordar de madrugada e saber que ainda tenho umas 4 horas de sono para celebrar
... Pensar numa música e, tcharam, ouvi-la magicamente na seqüência dos acontecimentos rotineiros e improváveis
... Saber a previsão do tempo para os aeroportos brasileiros na rádio {que eu não vou falar o nome, mas é a Antena 1}, mesmo que eu não vá viajar
... Encontrar o filme que eu estava procurando por R$ 19,90 dinheiros completamente por acaso
... Baixar tooooda a temporada de meu seriado favorito e ter tempo de assisti-la
... Ahá, melhor: baixar o filme que eu procurava enlouquecidamente e que no Brasil, necas
... O nariz do Steve Carell {poizé, não adianta explicar, sentimento cabalístico}
... Comprar a fatia certa do bolo de cenoura + chocolate: aquela que vem com a cobertura escorrendo pelo meio da massa
... Ficar rouca enquanto canto, mas nem tanto depois... ah, desnecessário
... Cantar Janis Joplin sem descabelar-me ou ficar afônica
... Os gritos roucos, a dança esquisita e as músicas lindas do Joe Cocker
... Receber notícias boas pela manhã, durante o dia e no final da noite num espaço curto de tempo
... Ter extraído os 4 sisos de uma só vez, em 40 minutos, sem intervalo
... Imaginar coisas absurdas ou eventos estranhos e sorrir sozinha sem ter que explicar o motivo, a razão ou presença no fato
... Usar o sarcasmo quando devidamente necessário
... Ser compreendida uniformemente pelo receptor da mensagem
... Programar minha próxima tattoo
... A expressão munganguenta do Chris Garver quando ele analisa a tatuagem
... Tudo relacionado aos anos 60 e 70, música, cinema, literatura, aaff, tudo
... Comprar vestidos
... Vírgula, Bolsas
... Vírgula, Flores
... E sapatos
... Ok, simplificando: acessórios em geral
... Ter por perto as pessoas que mais amo no mundo
... Ser indiferente àquelas que por motivos idiotas deixaram de ser próximas
... E não ter de me preocupar a respeito, se mudaram, casaram, geraram ou fizeram a curva
... Ir ao cinema e ter meu espaço aéreo respeitado, sem cabeças gigantes, topetes espaciais ou jubas mutantes sentadas à minha frente
... Não ter que conversar enquanto faço a maquiagem, com destaque para o delineador
... A nova música da Madonna, adoooro, tic-tac-tic-tac-tic-tac {4 minutes}
... Encontrar Joaninha dentro de casa e devolvê-la ao jardim
... Mergulhar o sushi no teriyaki mais vezes do que no shoyu
... Quando o alimento em questão não desmonta dentro do molho, escapando do hashi, do controle manual e da paciência
... Ouvir música imaginando o videoclipe
... Da minha cara de espanto ao ver o lançamento do clipe e descobrir que, inconscientemente, subtraíram minha idéia
... Sorvete de flocos ou Diamante Negro, com Nutella e cereais, coisa leve
... Passar devagar e pausadamente para ver as girafas e os elefantes na entrada do Zoológico {mas depois me entristecer, pois eles poderiam estar mais felizes na selva da África, fico arrasada}
... Olhar para o céu azul de nuvens espaçadas, sem previsão de chuva, com temperatura fria e alta umidade do ar
... De fazer uma lista sem princípios ou fins, já matutanto na próxima série Das coisas que eu não gosto ou Das coisas que talvez façam sentido, mas eu não gosto... mesmo que sentido tenham.