::gil elvgren::

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Dois anos de uma saudade eterna.
Por tantas e tantas vezes, eu chegava em casa querendo dividir os acontecimentos daquele dia, mas só encontrava o silêncio.
Sinto falta da opinião forte e da sabedoria simples, direta e certeira. Sinto tanta falta de passar a mão em seus cabelos, do sorriso largo e da bronca tamanha.
A gente não precisava de muito para se divertir e discutia por pouca coisa. Sempre fomos muito parecidas e incrivelmente teimosas.
Minha mãe abdicou de sua vida para cuidar daqueles que amava. E partiu cedo, mas foi embora sabendo o quanto era amada. Sempre que eu segurava sua mão – como fiz até o último momento -, mentalizava todo o meu amor (disfarçando minha dor em vê-la partindo aos poucos).
Nunca mais chorei como chorei naquele fim de tarde. Nunca havia me jogado de joelhos no chão como fiz naquela noite, sem forças, tendo a certeza de que tudo seria diferente, voltando para casa sem minha mãe.
Tristeza dói, aperta o peito, falta o ar e tira o reflexo.
Escrever liberta, alivia a aflição, conforta a alma, mas hoje tem sido incrivelmente difícil.
Quando penso que se ela estivesse aqui, isso e aquilo não teria acontecido, sinto-me egoísta, mas perdôo meu pensamento porque minha saudade não se mede.
Minha mãe era minha paz, meu conforto, meu lar. Sem ela, pouca coisa tem sentido. Sem ela, precisei mudar sem perder meu rumo. Mas continuo por ela.
Te amo, mãe. E amarei quantas vidas eu tiver. E além.

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Mil idéias povoando a mente.
Na verdade, mais do que idéias, são propósitos. Talvez a rotina esteja chata, talvez estive com as pessoas erradas, talvez deixei passar algumas oportunidades ou não aproveitado as chances como deveria ter feito, maaaas, faço do lamento, uma motivação.
Porque sou daquela espécie que quando acha que vai fraquejar e voltar atrás, respira fundo e lembra que no final, sempre dá certo. No final sempre dá certo. No final, sempre dá certo.
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Voltemos à programação normal.

Sábado, Junho 06, 2009

Talvez não seja tão habitual, mas um dos meus passatempos é observar as pessoas pelo retrovisor do carro.
Quem são, como vivem, o que fazem, para onde vão?
E essa ansiedade que sempre se adianta em mim traz perguntas sem pistas para as mais inquietas respostas.
A impressão constante de que só este meu espaço aqui não é suficiente. A janela tem ficado cada vez menor e quanto mais caminho, mais as distâncias parecem maiores.

Quando eu era criança sempre tinha a curiosidade em saber o que se escondia atrás daqueles morros e árvores ao longe, que se mostravam tão grandiosos e inatingíveis. Hoje, crescida, mal vejo o mesmo horizonte, - coberto por prédios - mas a necessidade não se esgotou e percebi que as caminhadas realmente são muito mais distantes do que eu imaginava, porém, necessárias.
Porque pouco me sobrou por aqui. Se eu for embora, pouco levarei.
Nada tem muito sentido. Lembranças, pessoas, lugares.
Enquanto eu mal reconheço alguns, outros mostram quem são. Amizades desfeitas pela pouca importância dos fatos. Se pra você tanto faz, o outro inexiste e pronto.
Lembro de sorrir com alguns amigos. Tempos depois, eu chorava sozinha. Neste momento, pouco me importa também. Não abro exceções, não vou mendigar atenções; ultimamente, o desconhecido tem sido meu melhor amigo e isso nem é uma queixa, é uma escolha.
E não se vai embora somente o que eu descobri que era descartável, tenho perdido medos, encarado situações e respondido minhas próprias dúvidas. E talvez toda essa certeza tenha me tornado uma pessoa mais racional, não necessariamente fria, mas consciente de que seu problema não é maior do que o meu, de que suas necessidades e escolhas são realmente suas e de que você não é o centro do universo como imagina ser.
Além de você, há o mundo lá fora. E ele me espera.