::gil elvgren::

Sábado, Agosto 22, 2009

E quem nunca teve um momento bipolar que jogue o primeiro relaxante muscular, que lance o primeiro anti-depressivo ou que negue a ingestão de um calmante para dormir leve feito pluma. Vamos lá, não se acanhe, até Britney já passou por isso! Coragem, amiga(o)!
Na verdade, não sou usuária desse tipo de alternativa pra driblar tristeza, inquietação ou qualquer outro surto. Mas desconfio de quem é feliz o tempo todo; assim como também desconfio de quem se entristece e lamenta cada frase.
E assim tudo aconteceu. Tive dias ótimos, ao lado de pessoas que amo, repleta de atividades interessantes e muito assunto para preencher as horas. Mas em dias seguintes, uma tristeza grande teimou em castigar, lembrando do que foi, como poderia ter sido, das ausências e saudades. Resultado: cho-rei, abraçada ao travesseiro, aquela coisa bem Bridget Jones, sabe... (com direito a 'All by myself' ao fundo)
Para minha sorte, não sou assim o tempo todo, apenas me dei ao direito da reflexão, do pijama, de um sorvete com bastante calda de chocolate e percebi que na vida tudo é muito delicado. Em um instante, as sensações são contagiantes, em outro momento, é um desânimo que tenta persistir.
(Ha, mas não consegue!)
E quando isso acontece, forço-me a lembrar que tenho muitos questionamentos e o tempo ao meu favor e isso ameniza qualquer que seja a exaltação.
E lembrando do óbvio que diz que não há nada melhor do que dias intercalando noites, pensamentos mil brotam em formas de decisões e expectativas.
Admito que em certos momentos da vida, esperei das pessoas. O melhor amigo, elogio, consideração, respeito, companhia para ir ao cinema, ou caminhar por aí. Hoje tenho em mente que as ações solitárias refletem no coletivo tanto quanto. O papel de bala jogado no lixo, o bom dia ao desconhecido do elevador, o poder da palavra, a demonstração da atitude, o surto no trabalho para desestressar.
Quando se aprende a ser independente é difícil esperar a boa vontade de uns, a disponibilidade de outros, o discernimento de alguns. "Se você quer algo bem feito, faça você mesmo", já disse alguém por aí.
E assim tenho me organizado, escolhido meus caminhos e garantindo a você que, caso eu realmente gostasse de palmito, provavelmente abriria o pote sozinha.
Dê-se o direito de gargalhar, liberte o choro guardado e acene para a vida que ela vai acenar pra você de volta.
Just back atcha. ;)

Quarta-feira, Agosto 12, 2009

*Moléstia* à parte, minha vida poderia servir de inspiração para um roteiro maneiríssimo do Almodóvar. A então musa Penélope Cruz que cuide de administrar melhor sua carreira porque a *weirdo* aqui está investindo firme no drama.
Posso afirmar que a cada semana rola um laboratório, uma pesquisa de campo, uma captação de recursos, uma reciclagem. Como na sexta-feira passada, depois de voltar pra casa parecendo zumbi-figurante do Thriller - descabelada, joelho sangrando, manca e com muita fúria e revolta no coração. Depois do acontecido, lembrei que também já fui atropelada por um anão em plena estação do metrô. Tem mais bizarro? E que tal pescar uma galinha? Ah, isso é normal e todos estão sujeitos, não me olhe torto assim. Conversar com manequim de loja pra pedir informação? Alguém? É pegar ou largar, assuma agora. Esperar pela carona e entrar no carro errado, reclamando que a pessoa atrasou (sendo que essa pessoa jamais te viu na vida!)? Ah, a miopia!
E no quesito *distúrbio visual*, eu me destaco. Já me vi refletida em espelho do shopping e, juraaava pra mim mesma, que conhecia aquela menina de algum lugar. Hellooooo, era euzinha aqui! Ou ainda o clássico do cumprimentar estranhos achando que é aquele seu super amigo? Já abracei desconhecido pensando que era um colega de trabalho. O pior (ou não) de tudo é que o 'estranho' em questão era irmão gêmeo da pessoa que eu pensava ser. Viu, nem sou tão míope, intrigas da oposição, coisas que o povo do bairro fala.
Mas o clássico dos clássicos é o pavor imoral que tenho de palhaços. Já cheguei ao nível elevadíssimo de sair da festinha porque o infame resolveu me escolher para as brincadeiras. Gente, palhaço foi um dos seres que mais me aterrorizou na infância. Eles tinham programas na TV, eles ficavam na entrada do zoo, eles formavam duplas e cantavam, eles animavam festas. Hoje estão por aí, mais sofisticados... porque pra mim, na *boua*, circo internacional com artistas pendurados em cordas e panos, tendo os rostos pintados, são palhaços repaginados, sim, não se discute. E não preciso nem dizer que aquela banda que rima 'nada com coisa nenhuma', que se veste de palhaço, coisa e tal, me causa verdadeiro pavor.
Mudando um pouco o foco (desfocado), mas continuando na linha do 'erro refrativo', semana passada, reunimos uma galera numa pizzaria delícia para festejar a promoção de uma amiga. E porque o delineador borrou, fui a última a chegar. Sem contar que ainda me perdi pelo caminho. Faz parte do charme, néam*. Mesa cheia, cumprimentei todos com um super simpático 'oi, gente' e sentei no canto, não conhecia todo mundo que estava no encontro. Papo vai, papo vem, pizza passa, pizza fica e a conversa rola solta. No final do evento, nas despedidas, é que fui notar que o cara que sentava na minha frente na mesa, pra quem eu falei altas besteiras, não era quem eu pensava ser. Confundi a fisionomia e puxei assuntos que talvez ele deva ter pensando: o quê que essa louca está falando?
Só sei que disfarcei bem, fiz aquela cara de (míope) super bem resolvida e deslizei no salto, com confiança, graça, segurança e um pouco de astigmatismo também.

Sábado, Agosto 08, 2009

Não foi culpa minha, nem culpa do moço. Talvez eu tenha deixado de ler meu horóscopo no dia e as forças supremas de uma órbita qualquer atuaram naquele instante; ou ainda, o fato de eu ter mudado de caminho na volta tenha afetado de alguma maneira minha relação com o ambiente, com o cosmos, com o leve caminhar.
Anyway, ainda não achei nada nem ninguém para colocar a culpa, somente o famoso *acontece*.
E naquela sexta-feira eu estava atravessando o estacionamento, nenhuma pressa, mas querendo ser teletransportada pra casa em poucos segundos, cansada, precisando de um banho de sais e ervas (ho-ho-ho). E talvez essa minha mania de não correr em nenhuma circunstância: para alcançar o metrô, para conseguir entrar no elevador ou pra não correr pra qualquer coisa mesmo, tenha me feito ser sumariamente atingida por um carro que saía da vaga. Na verdade, o carro não saiu, ele arrancou como se tivesse visto a bandeirada de largada, sinal verde, go!
Como resultado, caí de joelhos e virei o pé. Maraviiiilha, o mesmo pé que torci há quase dois anos e que me deixou 15 dias de botona branca! Era tudo o que eu queria, repetir o pesadelo! O mocinho - veloz e perigoso -, desceu do carro para me ajudar a levantar, já a companheira "simpática" dele, num ato de humanidade, educação e respeito ao próximo fechou o pino da porta e lá ficou sentada, me olhando. "Sorte dela que não tem nenhuma pedra por perto", pensei, enquanto colocava meu pé no lugar que ele costumava ficar. Mas lembrei que sou uma lady e, lady que sou, respirei, contei até 10 em aramaico e falei para o wannabe do Vin Diesel (após o ebola) que eu estava "bem", que só havia esfolado o joelho, torcido o pé, perdido um final-de-semana e que ele poderia ser mais cuidadoso ao arrancar com seu possante dos estacionamentos porque, além de carros, pessoas também transitam por lá, não é para brincar de circuito fechado, (son of a beatchy*!).
E depois de eu quase cantar o refrão "Heal the world, make it a better place, for you and for me and the entire human race. There are people dying, if you care enough for the living, make it a better place for you and for me...", o mané pediu zilhões de desculpas e perguntou se eu queria ir ao hospital, se eu estava realmente bem (que eu contei, foram 975.398 vezes) e eu quase pedi pra ele também pagar minhas contas, já que ele não parava de oferecer favores.
Enfim, esse tempão que perdi respondendo ao quizz que o moço preparou, me fez pegar um engarrafamento gigante na volta pra casa. Voltei dirigindo, joelho sangrando, pé pulsando e eu xingando mil palavras de baixo calão e termos chulos. Para minha sorte, tenho andando com álcool gel na bolsa (néam) e pude limpar o estrago. Agora, além de tattoos, também tenho scars... que nem escolhi, oh, well.
By the way, o post dessa semana seria sobre acontecimentos banais da atriz da vida real aqui, mas não pude deixar de registrar o lamento e, mais uma vez, agradecer os carinhos recebidos por email e Twitter. Tô bem, gente! Posso dirigir, digitar, comer e beber, a vida (social, woohoo!) continua. Meio manca, claro, mas continua.